A diplomacia do agronegócio brasileiro com a Ásia se fortaleceu e deve ampliar foco em exportações de produtos do setor a China e outros vizinhos de continente, e que devem gerar negócios que passam dos US$ 45 milhões no próximo ano.
O interesse se validou, após uma série de reuniões na última semana entre autoridades e empresas do Brasil com pares estrangeiros em cidades chinesas.
A China, principal destino do agronegócio brasileiro, tem ampliado sua relevância para os embarques de proteína animal do Brasil, enquanto a comitiva do governo tenta flexibilizar as cotas do produto com os chineses.
“Saldo de viagem veio num momento muito bom, porque seguimos com a carne brasileiro muito competitiva e fica mais fácil apresentar o nosso produto”, afirma Lygia Pimentel, especialista em pecuária e colunista do CNN Agro.
De acordo com a analista, há desafios para se vencer, em especial os relacionados à comunicação.
“Por outro lado, a gente observa que a turnê pelos países asiáticos mostra uma tendência muito grande de aumentar a distribuição para lá”, frisa Pimentel.
Até agora, dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram que o país asiático respondeu por 32,7% dos US$ 169,2 bilhões exportados pelo agro brasileiro em 2025.
Esse movimento ganhou força durante o SIAL Shanghai, uma das maiores feiras globais do setor de alimentos e bebidas, realizada entre 18 e 20 de maio, na cidade homônima.
O evento reuniu compradores profissionais de 132 países e regiões e consolidou-se como uma importante plataforma de negócios para empresas exportadoras, informou a ApexBrasil.
O Brasil participou com mais de 80 expositores. Entre eles, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que levou agroindústrias nacionais ao evento por meio das marcas setoriais Brazilian Chicken, Brazilian Pork, Brazilian Egg, Brazilian Breeders e Brazilian Duck.
Segundo levantamento da ABPA, os contatos realizados durante a feira deverão gerar US$ 45,5 milhões em negócios ao longo dos próximos 12 meses.
Apenas durante os três dias do evento, foram concretizados US$ 3,25 milhões em vendas.
“A China é um parceiro central para as exportações do setor, e a presença no evento permite reforçar atributos como qualidade, segurança sanitária e confiabilidade do produto brasileiro”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Santin, em nota.
Projeto Brazilian Beef
Outro destaque da participação brasileira foi o projeto “Brazilian Beef”, da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), também realizado em parceria com a ApexBrasil.
O pavilhão brasileiro ocupou mais de 1.200 metros quadrados e reuniu 24 empresas, alta de 20% em relação à edição anterior da feira.
Estreitar as relações com compradores e distribuidores locais foi um dos principais objetivos do projeto, destacou em comunicado o presidente da Abiec, Roberto Perosa.
No total, aconteceram 13.978 reuniões de negócios durante os três dias de evento, segundo o balanço da organização da feira.
Participaram compradores de países como Estados Unidos, Coreia do Sul, Singapura, Tailândia, Vietnã, Indonésia e Austrália, além de grandes redes varejistas chinesas.
A próxima edição da feira já está marcada para ocorrer entre 18 e 20 de maio de 2027.
Além da China, a estratégia brasileira de expansão comercial na Ásia também inclui o Sudeste Asiático. O país já confirmou participação na Food & Drinks Malaysia by SIAL, que será realizada entre 21 e 23 de julho, na Malásia.
Pimentel lembra que países com tendência de crescimento populacional acelerado, como Vietnã, Indonésia e Filipinas, acarretam um perfil interessante de parceiros comerciais.
Apesar de, em um primeiro momento, agregarem pouco em valor, podem representar um incremento de volume expressivo para a balança comercial do Brasil nos próximos anos.
“A parceria com esses países é positiva e precisamos trabalhar muito próximos com eles e certamente serão clientes importantes num futuro não muito distante”, afirmou.
Além disso, culturalmente, países asiáticos consomem miúdos e partes de carnes bovina ou de aves que no Brasil são consideradas inferiores, como é o caso do pé de galinha.
Esse tipo de produto, acrescenta Lygia, tende a abrir ainda mais espaço para o Brasil como fornecedor líder na região.




