Após o apresentador Ratinho ter falas transfóbicas em seu programa do SBT, a Justiça de São Paulo determinou que a emissora deveria exibir o direito de resposta de Erika Hilton durante a transmissão.
De acordo com informações da jornalista Fábia Oliveira, nesta quarta-feira (17), o juiz André Della Latta Cartaxo, da 2ª Vara Cível do Foro Central do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, determinou a exibição do vídeo de resposta da deputada.
Caso o vídeo não seja exibido, a emissora será penalizada com multa diária de R$ 50 mil até a determinação ser acatada. A decisão da Justiça ocorreu após a deputada mover uma ação contra o apresentador que afirmou que Erika “não é mulher, é trans”.
O magistrado concluiu que o comentário de Ratinho ultrapassou a crítica política e que o apresentador “avançou para o terreno da negação reiterada da própria identidade da autora”.
O vídeo resposta
No vídeo em questão, Erika pontua a gravidade das palavras transfóbicas das quais foi alvo. “Boa noite a você que está assistindo ao programa do Ratinho aqui no SBT. Esse é um direito de resposta que consegui na justiça após o apresentador Ratinho ter me desrespeitado e me ofendido ao vivo na televisão por eu exercer o meu trabalho. Sou Erika Hilton, uma mulher transexual e assim como vocês eu amo a televisão”, declarou a deputada.
“Vivi a minha infância com a TV da minha avó ligada em casa no SBT. A voz da Hebe Camargo, do Silvio Santos, as novelas da tarde sempre estiveram presentes em nossa sala. Mas no dia 11 de março, depois de eu ser eleita a presidenta da Comissão de Defesa do Direito das Mulheres, o apresentador desse programa disse para sua nobre audiência que eu não poderia ter sido eleita por eu ser quem eu sou. Ratinho disse que eu não poderia exercer meu trabalho por ser quem eu sou e negou diante do país inteiro que eu sou uma mulher. A liberdade de expressão não é absoluta”, desabafou.
Erika reforçou que sofreu uma violência ao ter sua identidade negada durante o programa. “Quando alguém usa a televisão para negar quem nós somos, isso não é apenas opinião, isso produz discriminação, produz humilhação e alimenta a violência. Assim como o racismo, a transfobia é crime no Brasil. Quando sofremos preconceito, é ser uma dor que dói na alma, mas o preconceito também gera violência, violência que mata todos os dias”, relatou.
A deputada reforçou como o Brasil é um dos países com maior índice de violência contra mulheres e a comunidade LGBTQIAP+. “O Brasil continua sendo um dos países mais violento do mundo para pessoas trans e registra números alarmantes de feminicídio. E discursos de ódio ajudam a alimentar essa violência. Ninguém deve aceitar ser humilhada ou discriminada em silêncio. A televisão brasileira pode ser um espaço de respeito, dignidade, verdade. Foi assim que eu aprendi a amar a TV ainda criança e é por isso que eu estou aqui, exercendo o meu direito, defendendo minha dignidade e reafirmando que nenhuma pessoa deve ser diminuída por existir”, acrescentou.
“Nenhum ódio, violência, ridicularização, chacota pode ser tolerado. Todas as pessoas merecem respeito e dignidade” concluiu.




