Recarga é fator decisivo na compra de elétricos

PODP BAHIA
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Com a chegada de novos modelos ao mercado, a decisão de comprar um carro elétrico passou a envolver uma pergunta que vai além da autonomia informada no catálogo. Antes de fechar negócio, o consumidor também precisa saber onde vai recarregar, quanto tempo o veículo ficará parado e se a rotina permite depender de pontos públicos, carregador residencial ou estrutura em condomínio.

Na prática, o comprador não leva apenas um carro novo para casa. Ele passa a adotar uma nova lógica de abastecimento, baseada em planejamento, aplicativos, disponibilidade de carregadores e adaptação da rede elétrica. A mudança já aparece nas dúvidas de quem chega às concessionárias.

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Segundo Luciano Santana, supervisor de serviço da Eurovia Renault, parceira da Geely, técnico em veículos híbridos e elétricos Geely e cotech Renault, as perguntas mais comuns envolvem “autonomia do veículo, tempo de carga, garantia da bateria de tração, carregadores, garantia do veículo e disponibilidade de peça”.

A médica neurologista Karla Coelho, proprietária de um Geely EX5, diz que tecnologia, economia e conforto pesaram na decisão de compra. Na rotina, ela carrega o carro principalmente em casa, durante a noite, e usa pontos públicos em shoppings e estacionamentos apenas como complemento. “Antes da compra, essa era uma das minhas maiores dúvidas. A chamada ansiedade de autonomia realmente existe para quem nunca teve um elétrico. Mas depois do uso diário, percebi que a autonomia do carro atende muito bem minha rotina”, afirma.

A experiência é diferente para a nutricionista Nara Goodwin, dona de um Geely EX2. Como o condomínio onde mora ainda não possui ponto de recarga, ela depende de eletropostos públicos, especialmente os rápidos, de corrente contínua. A estratégia é consultar aplicativos como o PlugShare antes de sair de casa, para verificar se o carregador está disponível e funcionando. “Com o carro elétrico, você muda a lógica de ‘ir abastecer’ para ‘abastecer onde você já está’”, resume.

Esse novo comportamento ajuda a explicar por que a rede de recarga passou a ser parte da decisão de compra. Dados da ABVE/Tupi Mobilidade mostram que Salvador já aparece com 277 eletropostos, enquanto a Bahia soma 810 pontos de recarga, com 3,8% de participação nacional. Ainda assim, a expansão da infraestrutura precisa acompanhar o crescimento das vendas de eletrificados.

Elevva Eletropostos

Na Bahia, uma das empresas que atuam nesse mercado é a Elevva Eletropostos, fundada pelos sócios Billy Anderson Cerqueira, Luan Suede e Wilson Caldas. Segundo Billy, a empresa trabalha com implantação, operação e gestão de eletropostos públicos e privados, além de manutenção, monitoramento remoto, gestão por aplicativo, controle de acesso, cobrança da recarga e suporte operacional.

A Elevva informa ter projetos em Salvador, Lauro de Freitas e outros pontos estratégicos do estado, com presença ou implantação em locais como Avenida Luís Tarquínio, em Lauro de Freitas, Guarajuba, Hotel Fiesta, Shopping da Gente, Drogaria São Paulo no Caminho das Árvores e posto Shell em frente ao Vitória Center. A expansão prevista mira Salvador, Região Metropolitana e interior, incluindo corredores rodoviários como a BR-324, com projeto citado para o Maria Antônia Café.

Para Billy, a disponibilidade de pontos públicos pesa cada vez mais na decisão de compra. “O motorista baiano já começa a pesquisar onde poderá recarregar antes mesmo de adquirir o veículo”, afirma. Ele avalia que, embora a autonomia dos modelos atuais tenha aumentado, a confiança em uma rede pública confiável ainda é decisiva para ampliar a adesão à mobilidade elétrica.

Projeto de lei

A recarga residencial e condominial também entrou no radar do poder público. A Assembleia Legislativa da Bahia aprovou por unanimidade o projeto de lei do deputado estadual Eduardo Salles que regulamenta a instalação de estações individuais de recarga para veículos elétricos em condomínios residenciais e comerciais. O texto segue para sanção do governador Jerônimo Rodrigues.

Enquanto a nova lei não é sancionada, o engenheiro eletricista e físico nuclear Gerson Sampaio, da Teknergia ElektroBA, afirma que o que vale na Bahia é a Norma Técnica 45/2026, do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia. “O que vigora hoje é a Norma Técnica 45/2026, do Corpo de Bombeiros. É preciso medir, projetar e executar a infraestrutura elétrica adequada, com ART de engenheiro”, afirma.

Com 40 anos de atuação no mercado, Sampaio diz que a instalação de um ponto de recarga em casa ou condomínio costuma levar um dia e custa, em média, de R$ 2,5 mil a R$ 4,5 mil. Mas o valor pode mudar quando o prédio precisa de adequações maiores.





Fonte:A Tarde

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