As discussões acerca de músicas que fazem apologia à vida do crime estão cada vez mais intensas nas redes sociais. Através de plataformas musicais, cada vez mais canções são feitas para prestigiar lideranças das organizações criminosas.
De acordo com informações apuradas pelo portal Diário do Nordeste, essas canções são encomendadas por integrantes das facções que chegam a pagar altas quantias para que MCs e DJs as toquem em grandes festas e em plataformas musicais.
Em entrevista ao portal, o doutor em sociologia e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV/UFC), Artur Pires, refletiu como as canções são uma estratégia das organizações criminosas.
“É muito simbólico como a facção consegue penetrar na subjetividade e na construção identitária do jovem periférico”, relatou.
Uma fonte sigilosa chegou a afirmar que algumas das canções podem chegar a R$ 50 mil no Ceará. Essas figuras regionais costumam contratar cantores cariocas para realizar as composições.
Plataformas como o Youtube e Spotify são utilizadas para o compartilhamento dessas músicas. Músicas como “Tropa do Alok” possuem ligação direta com as facções. João Vitor da Costa Minervino, ou ‘MC Black da Penha’, um dos cantores creditados na composição, chegou a ser preso por seu envolvimento com o Comando Vermelho (CV). Dias após o ocorrido, a música foi banida das plataformas digitais.

Apesar das acusações de apologia ao crime, a equipe de defesa do cantor se manifestou sobre a liberdade artística do MC. “O palco é um espaço de arte, não de crime. Transformar um show em uma acusação criminal é um equívoco que fere não apenas um artista, mas toda uma cultura que encontra na música sua voz e sua identidade”, relataram em nota enviada ao Diário do Nordeste
Outra canção apontada como “hino de facção” é o funk “Favela Santiago Barra do Ceará” de Francisco Anderson Mendes, o MC Dym, preso em 2025, que celebra o fim de disputas territoriais na região.




