A produção de substâncias tóxicas é geralmente atribuída a répteis e aracnídeos no reino animal, mas um grupo seleto de mamíferos venenosos utiliza essa estratégia biológica para sobrevivência.
Espécies como o ornitorrinco e o lóris-lento possuem mecanismos específicos para utilizar toxinas, seja para imobilizar presas ou garantir a defesa territorial, revelando uma face menos conhecida da evolução dessa classe.
Estratégias de caça e imobilização
Os musaranhos e os solenodontes, pertencentes à ordem Eulipotyphla, figuram entre os exemplosde mamíferos que utilizam veneno para alimentação.

Estes animais possuem toxinas na saliva que são injetadas por meio de mordidas para imobilizar presas, como insetos e minhocas. Em seres humanos, o contato com essa substância pode causar dor, queimação e inflamação temporária.
Defesa e disputas territoriais
O ornitorrinco apresenta uma característica singular. Ele possui a presença de esporões nos calcanhares das patas traseiras.

Apenas os machos produzem veneno, e a potência da substância aumenta durante o período de acasalamento, indicando seu uso em disputas por fêmeas e território.
Embora a toxina não seja letal para humanos, ela pode provocar dor intensa e não possui antídoto específico.
Outro caso relevante é o do lóris-lento, o único primata peçonhento conhecido. Ele possui glândulas na parte interna das patas dianteiras que secretam toxinas.

Ao lamber essas glândulas, o animal mistura a secreção com a saliva, tornando sua mordida capaz de causar anafilaxia em humanos.
Adaptações para alimentação
Diferente das espécies que usam toxinas para paralisia ou dor, os morcegos-vampiros, possuem uma saliva com propriedades anticoagulantes.

Tecnicamente classificada como peçonha, essa substância impede a cicatrização imediata da ferida na vítima, permitindo que o animal se alimente de sangue com maior eficiência.




