As contas externas do Brasil foram deficitárias em US$ 1,8 bilhão em abril de 2026, ante ao déficit de US$ 1,6 bilhão registrado no mesmo mês do ano passado.
Os dados correspondem à diferença entre produtos exportados e importados, serviços contratados e gastos de brasileiros no exterior, além do envio de lucros para outros países, entre outros.
O resultado foi divulgado no relatório de estatísticas do setor externo do Banco Central nesta terça-feira (26). As estatísticas do setor externo compilam dados do comércio de mercadorias, balanço de pagamentos, taxa de câmbio, entre outras informações.
Nos 12 meses encerrados em abril, o déficit em transações correntes das contas externas somou US$ 64,3 bilhões, o equivalente a 2,66% do PIB (Produto Interno Bruto).
No mês, a balança comercial de bens foi superavitária em US$ 9,7 bilhões. No período, as exportações de bens totalizaram US$34,3 bilhões (alta de 13,9% na comparação interanual), enquanto as importações de bens somaram US$24,6 bilhões, o que representa uma elevação de 6,2%.
O déficit na conta de serviços totalizou US$5 bilhões em abril de 2026. No mês, houve aumentos das despesas líquidas de telecomunicações, computação e informações (26%) e de aluguel de equipamentos (16,1%).
Já as despesas líquidas de viagens internacionais totalizaram US$1,5 bilhão, 66,4% superiores às de abril de 2025, com receitas praticamente estáveis, US$ 800 milhões, e aumento de 34,8% nas despesas, totalizando US$ 2,3 bilhões.
Segundo o Banco Central, o déficit em renda primária somou US$6,8 bilhões em abril de 2026. É um aumento interanual de 35,5%. As despesas líquidas de lucros e dividendos, associadas aos investimentos direto e em carteira, totalizaram US$ 4,6 bilhões no mês, enquanto as despesas líquidas com juros somaram US$2,3 bilhões (alta de 36,4%).
Investimentos Diretos no País
Os investimentos diretos no país registraram ingressos líquidos de US$8,9 bilhões em abril. Houve uma alta em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o Banco Central contabilizou US$ 5,4 bilhões.
O documento mostra também que houve ingressos líquidos de US$6,8 bilhões em participação no capital. Desse total, US$3,2 bilhões são de participação no capital exceto lucros reinvestidos e US$3,7 bilhões em lucros reinvestidos no país. No mês, a autoridade monetária também registrou US$2,1 bilhões em operações intercompanhia.
No acumulado em 12 meses, os investimentos diretos no país totalizaram US$79,2 bilhões (3,28% do PIB) ante US$75,7 bilhões (3,18% do PIB) em março de 2026 e US$72,7 bilhões (3,40% do PIB) em abril de 2025.
De acordo com a autoridade monetária, os investimentos em carteira no país somaram ingressos líquidos de US$ 600 milhões em abril. No mês, os investimentos em ações e fundos de investimento no mercado doméstico registraram ingresso líquido de US$1,1 bilhão, enquanto os investimentos em títulos no mercado doméstico registraram saída líquida de US$ 500 milhões.
Nos 12 meses encerrados em abril de 2026, os investimentos em carteira no mercado doméstico totalizaram ingressos líquidos de US$28,5 bilhões.
Em abril, as reservas internacionais somaram US$366,9 bilhões. Aumentou US$4,9 bilhões em relação a março de 2026. Segundo o Banco Central, contribuíram para aumentar o estoque de reservas o retorno líquido em operações de linha com recompra, US$2,0 bilhões; as variações por paridades, US$1,7 bilhão; e as receitas de juros, US$0,8 bilhão.




