
O caso do jovem Davi Fiúza voltou ao centro do debate nesta segunda-feira (25), durante audiência de instrução realizada no Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, no bairro de Sussuarana, em Salvador. A sessão teve como foco o depoimento de duas testemunhas no processo que investiga o envolvimento de policiais militares no desaparecimento ocorrido em 2014, no bairro de São Cristóvão.
Durante a audiência, a mãe do jovem, Rute Fiúza, falou à imprensa e voltou a defender que o caso seja levado a júri popular. Em tom emocionado, ela destacou a ausência de respostas ao longo dos anos. “Uma palavra que ainda não conheço é justiça. Para mim, a justiça ainda é uma utopia. Estou lutando por ela”, afirmou.
Rute também ressaltou que a luta ultrapassa a dimensão individual e representa a cobrança por responsabilização do Estado em casos de violência policial. “Meu luto é uma luta. Meu clamor é o júri popular”, declarou. Ela atua como coordenadora do Movimento Mães de Maio da Bahia e integra a Coalizão Negra por Direitos.
A mãe de Davi criticou ainda a demora na tramitação do processo judicial. “A morosidade judiciária é para que caia no esquecimento e para que a gente desista, como se mãe desistisse do filho. Eu não vou desistir”, disse. Demonstrando preocupação com o tempo de duração do caso, ela acrescentou: “Espero que esse caso não se prolongue por mais 12 anos. Só peço que não seja arquivado, porque existem provas robustas de todo o fato”.
A audiência foi acompanhada por representantes da Anistia Internacional e da Iniciativa Negra, que monitoram o caso em âmbito nacional e internacional. As entidades apontam que o processo é marcado por sucessivos adiamentos e pela longa demora judicial.
Co-fundador da Iniciativa Negra, Dudu Ribeiro destacou a expectativa de que o caso avance para julgamento. “A ida do caso para a Justiça comum já demonstra o reconhecimento de indícios de homicídio. Esperamos que, com a escuta das últimas testemunhas, o juiz pronuncie o caso para júri popular, garantindo não apenas justiça, mas também reafirmando que nenhuma família merece passar pelo que a família de Rute Fiuza enfrenta. O Estado precisa ser responsabilizado e garantir a devida reparação”, pontuou.
Com o encerramento da fase de instrução, o processo segue agora para as alegações finais, etapa em que acusação e defesa apresentam suas manifestações antes da decisão judicial sobre o envio do caso a júri popular. Nesta terça-feira (26), Rute Fiúza deve prestar depoimento por escrito.
FonteBahia News




