Vídeo: Jovem pediu para namorado parar carro antes de morrer em acidente

PODP BAHIA
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A Polícia Civil de Goiás investiga a morte da estudante de direito Kimmberlly Gisele Pereira Rodrigues, de 21 anos, em um acidente de carro no dia 4 de maio, na BR-060, em Alexânia, no estado de Goiás.

Um vídeo registrado pela jovem minutos antes do acidente mostra que ela estava com medo da forma como o namorado dirigia o veículo e pediu que ele parasse.

A jovem morreu após a batida e o namorado, identificado como Ivan Rodrigues Cardoso, foi preso temporariamente por feminicídio com dolo eventual.

De acordo com a delegada que investiga o caso, os elementos apurados indicam que o homem teve uma crise de ciúmes e assumiu o risco de matar ao dirigir o veículo após consumir bebida alcoólica, demonstrando indiferença pela vida da vítima.

O vídeo gravado no celular de Kimmberlly e recuperado pela polícia foi registrado nove minutos antes do acidente, por volta de 00h20 do dia 4 de maio.

É possível ouvir os pedidos da jovem para que Ivan a levasse para casa. “Por favor, tô com medo. Ivan, por favor, vamos para minha casa.” Ao final do vídeo, o namorado de Kimmberlly responde que “não adianta gravar“.

Veja abaixo:

 

Ciúmes e álcool

De acordo com a investigação, no dia 3 de maio, um domingo, Ivan, Kimmberly e três amigos passaram o dia em uma chácara consumindo bebidas alcoólicas. Os registros desse consumo foram feitos no celular de Kimmberly e em publicações nas redes sociais de Ivan por volta das 20h.

O jovens foram até um bar na cidade, onde permaneceram até a meia-noite. Há um registro comercial de Ivan comprando e consumindo mais bebida alcoólica exatamente às 00h.

Em depoimento à polícia, Ivan afirmou que sentiu ciúmes de alguns rapazes que conversavam com Kimmberly no bar e uma breve discussão aconteceu entre o casal e os amigos.

Já dentro do carro, uma das amigas do grupo, que estava sóbria, se ofereceu para dirigir o veículo e deixar todos em casa de forma segura, mas Ivan se recusou a entregar a direção. Nesse momento todos os amigos desceram do carro e pediram para Kimmberly descer também, mas ela se recusou e afirmou que ele a levaria para casa.

No caminho, Kimmberly entrou em pânico pela forma como o namorado estava conduzindo o veículo, momento em que gravou o vídeo expressando seu medo.

No depoimento, Ivan alegou que viu um vulto na pista, achou que era um animal e, ao puxar o volante, perdeu o controle do veículo.

Segundo a polícia, as coordenadas extraídas do celular apontam que esse vídeo foi gravado no km 25 da BR-060, com o velocímetro do carro atingindo aproximadamente 134 km/h.

Apenas 9 minutos após o vídeo, no km 29,6 da BR-060, o veículo capotou, e o SAMU foi acionado para o atendimento. Kimmberly não resistiu aos ferimentos e morreu, enquanto Ivan sobreviveu.

Outro lado

Em nota, a defesa do suspeito diz que as informações divulgadas não representam a realidade e que a atribuição do caso a um feminicídio é precipitada.

Confira a nota da defesa de Ivan na íntegra:

“A defesa de Ivan Rodrigues Cardoso vem esclarecer que as informações divulgadas até o presente momento não refletem, de forma fiel e técnica, a dinâmica dos fatos efetivamente ocorridos.

Trata-se, em tese, de um acidente automobilístico, cuja apuração ainda se encontra em fase inicial de investigação pelas autoridades competentes. Nesse contexto, é precipitado atribuir ao caso a natureza de feminicídio antes da conclusão dos procedimentos investigativos e da análise técnica de todos os elementos constantes nos autos.

A defesa destaca que não há, até o momento, qualquer conclusão definitiva que indique intenção deliberada de provocar o resultado trágico, motivo pelo qual é imprescindível que o caso seja tratado com responsabilidade, cautela e observância ao devido processo legal.

Ivan Rodrigues Cardoso lamenta profundamente o ocorrido e manifesta solidariedade aos familiares e amigos da vítima neste momento de imensa dor e consternação.

A defesa informa, ainda, que adotará todas as medidas judiciais cabíveis para assegurar os direitos e garantias constitucionais do investigado, incluindo a impetração de Habeas Corpus, com o objetivo de garantir a correta aplicação da lei, a regularidade do procedimento investigativo e o respeito ao princípio da presunção de inocência.

Por fim, a defesa reafirma sua confiança nas instituições e acredita que os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da investigação, com base em provas técnicas e dentro dos parâmetros legais e constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.”

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo



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