Uma cidade irregular

PODP BAHIA
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A contagem de três mortos e três feridos, no desabamento do imóvel no bairro de Luiz Anselmo, expõe um traço característico da formação da maioria dos 171 bairros de Salvador. Esta é uma cidade marcada por ocupações espontâneas, resultando na banalização de construções irregulares nas propriedades privadas invadidas pelo povo.

Não se deve, com isso, justificar a substituição do engenheiro pelo sábio pedreiro, mas a alta demanda é necessariamente desproporcional à oferta de profissionais habilitados. Eis aí o nó górdio atado ao perfil da primeira capital, cujo desenho torto denuncia o improviso intrínseco às origens da vitória da moradia sobre as ordens de despejo.

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O conhecimento desta raiz insegura poderia ampliar os serviços de apoio às reformas, embora no quesito fiscalização a presença da prefeitura se conserve intacta. Somente este ano, foram 724 ações de ajuste e 1,1 mil visitas, número possível de ser qualificado modesto após uma rápida panorâmica em áreas densamente povoadas por mosaicos de tijolo aparente.

Enquanto a Polícia Técnica trabalha para identificar as causas da mais recente queda de edificação, resta admitir de antemão o diagnóstico tão antigo quanto a expansão da sotero-polis. Como agravante, moradores sentem-se autorizados por um discurso liberal de prosperidade para ampliar patrimônio.

O resultado é o desprezo pelo entorno, fixando-se amiúde os olhares na arriscada valorização pelo acréscimo das lajes, os famosos “puxadinhos”. Não são poucos nem miúdos os obstáculos para se enfrentar o ancestral desafio da cidade nascida fortaleza e posterior abrigo para levas de migrantes tangidas pelo êxodo rural.

Entre as principais, destaca-se a prova da herança convergindo localidades distantes, desde a entrada, divisa com a BR-324, à região de Itapagipe, passando pelo vasto miolo. Esta prova é a inexistência de plantas ou documentos comprobatórios das edificações, ou seja, não há como ter acesso aos projetos originais ignorados desde os tataravós dos atuais soteropolitanos.





Fonte:A Tarde

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