O Irã “está respondendo a uma mensagem enviada pelos EUA”, informou a agência de notícias iraniana ISNA nesta quinta-feira (21), acrescentando que a visita do chefe do Exército paquistanês a Teerã teve como objetivo minimizar as divergências e ajudar a chegar a um anúncio oficial de entendimento.
Na noite de quarta-feira (20) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, declarou: “Recebemos a posição dos EUA e estamos analisando-a”.
O Paquistão, que sediou as negociações de paz no mês passado e está atuando como mediador entre Teerã e Washington, continua a mediar o conflito, acrescentou ele. O ministro do Interior paquistanês esteve em Teerã na quarta-feira.
Seis semanas após a entrada em vigor de um frágil cessar-fogo, as negociações para pôr fim à guerra mostraram poucos avanços, enquanto a disparada dos preços do petróleo aumentou a preocupação com a inflação e o impacto na economia global.
Trump também está sob pressão interna às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro, com seu índice de aprovação caindo para perto do nível mais baixo desde que retornou à Casa Branca, em meio à alta dos preços dos combustíveis.
“Acreditem, se não conseguirmos as respostas certas, tudo pode acabar muito rápido. Estamos todos prontos para partir”, disse Trump a repórteres na Base Aérea Conjunta Andrews. Questionado sobre quanto tempo esperaria, o presidente respondeu: “Podem ser alguns dias, mas pode acabar muito rápido”.
Trump reiterou sua determinação de não permitir que o Irã adquira uma arma nuclear. “Estamos nos estágios finais das negociações com o Irã. Veremos o que acontece. Ou chegamos a um acordo ou teremos que tomar medidas um pouco drásticas, mas espero que isso não aconteça”, afirmou ele a repórteres.
“Idealmente, eu gostaria de ver poucas pessoas mortas, em vez de muitas. Podemos chegar a um acordo de qualquer maneira.”
Petroleiros chineses cruzam o Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz, que transportava um quinto das cargas de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra, está praticamente fechado desde o início do conflito, na mais grave interrupção do fornecimento global de energia da história.
Na quarta-feira (20), o Irã divulgou um mapa mostrando uma “zona marítima controlada” no estreito e afirmou que o trânsito exigiria autorização de uma autoridade criada para controlar a área. O país afirma que pretende reabrir o estreito para países amigos que cumpram seus termos.
Isso poderia incluir taxas de acesso, o que Washington considera inaceitável.
Dois superpetroleiros chineses, transportando cerca de quatro milhões de barris de petróleo, saíram da via na quarta-feira, enquanto um petroleiro sul-coreano, com dois milhões de barris de petróleo bruto a bordo, carregado no Kuwait, também cruzava o estreito em cooperação com o Irã.
A empresa de monitoramento de navegação Lloyd’s List informou que pelo menos 54 navios transitaram no local na semana passada, cerca do dobro da semana anterior.
O Irã afirmou que 26 navios cruzaram o estreito nas últimas 24 horas, ainda assim, apenas uma fração das 125 a 140 passagens diárias antes da guerra.
Os bombardeios conjuntos entre EUA e Israel mataram milhares de pessoas no Irã antes do cessar-fogo.
Israel também matou milhares e expulsou centenas de milhares de pessoas de suas casas no Líbano, país que invadiu em busca do grupo armado Hezbollah, apoiado pelo Irã.
Os ataques iranianos contra Israel e os países vizinhos do Golfo Pérsico mataram dezenas de pessoas.
Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmaram que seus objetivos de guerra eram conter o apoio do Irã a milícias regionais, desmantelar seu programa nuclear, destruir sua capacidade de lançar mísseis e facilitar a derrubada do governo iraniano.
Mas o Irã, até o momento, manteve seu estoque de urânio enriquecido próximo ao grau de produção de armas e sua capacidade de ameaçar países vizinhos com mísseis, drones e milícias aliadas.
Seus governantes religiosos, que reprimiram um levante popular no início do ano, não enfrentaram nenhum sinal de oposição organizada desde o início da guerra.




