Manutenção muda com avanço dos eletrificados

PODP BAHIA
Por
5 Min de Leitura
#image_title


A popularização dos carros elétricos e híbridos no Brasil começa a mudar a rotina de manutenção preventiva e a cadeia de serviços automotivos. Nos modelos 100% elétricos, itens comuns nos carros a combustão, como troca de óleo do motor, velas, correias, escapamento, injetores e bombas de combustível, deixam de existir. Em contrapartida, bateria, sistema de alta tensão, arrefecimento, pneus, suspensão, softwares e módulos eletrônicos passam a exigir mais atenção.

O avanço acompanha o crescimento das vendas. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), os eletrificados leves chegaram a 38.516 emplacamentos em abril de 2026, com 16% de participação no mercado nacional. O volume representa alta de 161% sobre abril de 2025. Para o presidente da entidade, Ricardo Bastos, o desempenho aponta para uma “tendência consistente de aceleração da eletrificação no Brasil”, sem caráter “sazonal ou acidental”.

Tudo sobre Autos em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Apesar de terem menos peças móveis, os eletrificados não dispensam revisão. Segundo Júlio Câmara, coordenador da pós-graduação em Veículos Elétricos e Híbridos da Universidade Senai Cimatec, a manutenção de itens como suspensão, direção, freios, alinhamento e balanceamento é semelhante à dos veículos convencionais. A diferença está nos sistemas de alta tensão, baterias, motores elétricos, módulos eletrônicos e conexões.

“Os veículos eletrificados possuem componentes que podem operar com tensões superiores a 400 volts, por vezes 800 volts em esportivos. Essa característica pode ser fatal para quem manusear os componentes sem o devido conhecimento e equipamentos de proteção específicos”, alerta Câmara.

Nos elétricos, o sistema de arrefecimento é um dos pontos de maior atenção. Câmara explica que, em muitos modelos, a bateria é refrigerada por água gelada ou fluido do ar-condicionado, enquanto motor elétrico e módulos eletrônicos podem exigir sistemas separados. “Um mau funcionamento nesse sistema pode ocasionar a parada do veículo, danos nos componentes eletrônicos e riscos elevados de segurança”, afirma. Pneus, alinhamento e balanceamento também ganham importância, especialmente pelo maior peso das baterias e pelas condições das vias.

No dia-a-dia

Na prática, a mudança já é percebida pelos proprietários. Dona de um BYD Dolphin elétrico 2024, a auditora fiscal e professora Karla Borges diz que escolheu o modelo para reduzir custos com combustível e manutenção. “Foi a melhor compra que eu fiz. O carro é espaçoso, equipado, tecnológico, não dá problema e a isenção do IPVA na Bahia é um diferencial”, relata. Segundo ela, a manutenção é mais simples e o próprio painel sinaliza a proximidade das revisões. “É tudo elétrico e monitorado. Nas duas revisões, não tinha nada a relatar”, diz.

Motorista de aplicativo, Sílvio Veloso Oliveira também relata economia após trocar o carro a combustão por um Dolphin GS 100% elétrico. Para ele, a experiência tem sido “fantástica”, sobretudo pela redução de custos e pela manutenção mais simples. “A diferença entre o carro a combustão e o elétrico é muito grande. O elétrico é melhor e a manutenção não é difícil”, afirma.

Já a bióloga Luanda de Mattos Freire, que usa um BYD Mini Dolphin 100% elétrico e um híbrido, o BYD Song Pro, ambos 2024, percebe diferenças entre as tecnologias. No elétrico, diz que a manutenção ficou mais barata e com intervalos maiores entre revisões. No híbrido, a economia foi menor. Ela relata dificuldade para encontrar peças originais e profissionais especializados fora da concessionária. “Vale a pena, mas é preciso avaliar os custos. Em relação à recarga, só compensa se houver estrutura de energia elétrica e se os deslocamentos contemplarem locais de recarga, que ainda são escassos”.

A transformação chega às oficinas: serviços como pneus, suspensão, freios e alinhamento seguem comuns, mas bateria, motores elétricos, arrefecimento, módulos eletrônicos e alta tensão exigem mão de obra especializada. Para o consumidor, é seguir o plano do fabricante e checar se a oficina tem treinamento e equipamentos adequados.





Fonte:A Tarde

Compartilhe Este Artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *