
O candidato ao Governo da Bahia pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Ronaldo Mansur, é entrevistado na manhã desta quarta-feira (12), na primeira rodada de entrevistas nos estúdios do Blog do Valente, em Salvador. Na primeira pergunta feita por Leonardo Valente, sobre seu nome como terceira via nas pesquisas e o que o diferencia dos demais candidatos, Mansur criticou a gestão do grupo do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e a de ACM Neto (União Brasil) em Salvador.
Durante a entrevista, Mansur citou problemas de infraestrutura, criticou o programa de governo de ACM Neto, e fez cobranças sobre ações de governos passados e atuais. O candidato também apresentou propostas para áreas como segurança pública.
“O que nos diferencia é que a gente não faz parte desse pacotão que governa a Bahia por tantos anos — nem dos 30 anos do período carlista, nem dos 20 anos da burocracia do PT e dos seus aliados. Nós não fazemos parte desse grupo, que é uma continuidade das gestões anteriores. Os governos do PT deram continuidade, literalmente, a praticamente todas as políticas da era carlista. Você tem o programa dos dois: tem um que é aí apontado por escrever um programa pela IA. Aí é muito fácil: você pega a IA, ‘problemas da região do Recôncavo’, aí a IA vai apontar quase todos; ‘soluções para os problemas apresentados para a região do Recôncavo’, em meia hora você constrói um programa. É diferente de você percorrer a Bahia pelos 27 territórios de identidade e dialogar com a população.”, declarou.
Ronaldo Mansur também criticou o candidato ACM Neto ao citar uma promessa feita durante sua passagem pela Prefeitura de Salvador relacionada ao aumento do número de Guardas Municipais. Segundo Mansur, ACM Neto teria deixado a prefeitura com cerca de 1.200 profissionais, apesar de ter encontrado aproximadamente 1.500 e prometido chegar a 2.500.
“O que eu quero dizer é que uma coisa é o que o programa diz, porque o papel aceita qualquer coisa. Agora, a prática é outra. O próprio candidato Antônio Carlos Magalhães, quando foi prefeito de Salvador e quando estava candidato, prometeu muita coisa, dentre elas ampliar o número de guardas municipais na cidade de Salvador. No entanto, quando ele saiu, deixou um número mais reduzido do que o que encontrou. Ele encontrou cerca de 1.500 e, quando saiu, deixou cerca de 1.200. E tinha prometido chegar a 2.500 profissionais da Guarda Municipal de Salvador, que é uma galera que tem uma importância muito grande hoje em Salvador — tanto no combate ao crime organizado quanto na preservação também dos bens, do patrimônio do município de Salvador.”, disse.
Para o candidato, o grupo político do prefeito Bruno Reis administrou Salvador de acordo com interesses do empresariado. Mansur citou como exemplo a construção de uma área da Orla de Salvador e a posterior entrega dos espaços para a iniciativa privada.
“E administrou a cidade para os interesses do empresariado. E, quando a gente fala do empresariado, não quer dizer que a gente é contra o empresariado. Mas é inadmissível, por exemplo, que o grupo político do Antônio Carlos Magalhães construa uma orla aqui em Salvador em que se gastam 134 milhões de reais e simplesmente entrega para a iniciativa privada, para empresas privadas, onde por ano a prefeitura vai arrecadar cerca de 90 mil reais de impostos, de aluguéis da concessão daqueles espaços. Ou seja, você gasta R$ 134 milhões e arrecada por ano, em 30 anos, R$ 90 mil. Ou seja, alguma coisa está fora da ordem. Você vai ter aí a construção da arena que está sendo finalizada e com certeza vai seguir o mesmo rito. Ou seja, nós pegamos o dinheiro que é público e jogamos para a iniciativa privada, e o retorno não existe.”, disse.
Mansur é de Alagoinhas, município da Bahia, tem formação técnica em meio ambiente e é estudante de Direito. É militante ativo do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e um dos fundadores do PSOL Bahia. O pré-candidato chegou à política aos 10 anos, durante uma greve de operários da construção civil no Nordeste de Amaralina, em Salvador. Pouco depois, repetiu a experiência em uma greve de comerciários.
Sendo um dos fundadores do PSOL no estado, o candidato já foi secretário-geral e tesoureiro do diretório estadual e está em seu segundo mandato como presidente do partido na Bahia. Também integra a executiva nacional do PSOL. Mansur conta com três candidaturas eleitorais. Já concorreu a vice-governador em 2014, na chapa de Marcos Mendes, e em 2022, na chapa de Kleber Rosa; em 2018, disputou uma vaga de deputado federal. Nenhuma das três resultou em mandato.
O projeto que o pré-candidato busca levar ao Palácio de Ondina é baseado em movimentos sociais, voltado a quem, segundo ele, sempre foi esquecido pelos governos que passaram, sejam eles carlistas ou petistas.
FonteBahia News




