
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), autor da denúncia de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, procurou na quarta-feira (5) o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) para tratar do caso.
Segundo Lindbergh, a intenção da conversa foi esclarecer que não pretende explorar o assunto politicamente e informar que preparava uma nota pública sobre o caso.
“Eu disse ao Sóstenes que o que eu fiz foi motivado por uma denúncia e que agora cabe à Polícia Federal e ao STF. Eu já falei o que tinha que falar sobre isso. A minha nota vem nesse sentido. Vamos soltar a nota dizendo que a parte que cabia a mim eu fiz, que é encaminhar a denúncia quando ela chega”, afirmou Lindbergh à CNN na noite de quarta-feira.
“Não vou ficar fazendo carga em cima disso. Não vou ficar em cima dele. Mas o fato é que cabe ao sistema judicial apurar”, complementou.
Sóstenes confirmou à CNN que conversou com o parlamentar, mas disse entender que Lindbergh buscava uma espécie de acordo para reduzir o conflito, no qual divulgaria a nota pública e Gaspar retiraria os processos movidos contra ele.
“A hora em que foi Gaspar anunciado (vice de Flávio), ele (Lindbergh) me procurou e falou: ‘Você me conhece. Conhece meu caráter. Eu não quero, por causa da minha cabeça, criar um erro ainda maior em atacar alguém de forma desonesta com a minha consciência.”
E disse a Sóstenes: “Quero que você ligue para o Alfredo e diga que vou fazer uma pacificação com a imprensa como sinal de boa-fé’”.
Sóstenes afirmou ainda que Lindbergh relatou ter recebido informações sobre o suposto crime por meio de uma jornalista antes de apresentar a denúncia.
“Ele me disse que possuía apenas informações superficiais e que levou isso à Polícia Federal. E que depois, quando foi buscar as provas, a jornalista não apresentou nenhuma prova contra o Gaspar”, complementou.
A nota pública chegou a ser redigida na quarta-feira, mas, segundo Sóstenes, não agradou Gaspar e, por isso, não foi divulgada.
Lindbergh disse à CNN que a nota não foi publicada porque estava em agenda de campanha em seis cidades do estado do Rio de Janeiro e não teve tempo para revisá-la. O deputado também negou que pretenda se retratar.
“Não se trata de se retratar. Vou me retratar do quê? Recebi uma denúncia e a encaminhei. É minha obrigação fazer isso inclusive”, disse.
O caso
A denúncia apresentada por Lindbergh foi formalizada em 27 de março, após um embate entre ele e Alfredo Gaspar durante uma sessão da CPMI do INSS. O caso se transformou em uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.
O ministro solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda não se pronunciou. Segundo apuração da CNN, o último andamento do processo na PGR foi um pedido de diligências.
Em resposta à denúncia, Gaspar adotou uma série de medidas, segundo seus advogados. Entre elas estão uma notícia-crime no STF contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke por coação no curso do processo e outra por calúnia e injúria; uma representação na PGR contra ambos por denunciação caluniosa; um ofício à Superintendência da Polícia Federal colocando-se à disposição para quaisquer esclarecimentos; uma ação de indenização por danos morais contra os dois parlamentares; uma representação no Conselho de Ética; além de uma ação cautelar antecipatória de prova para coleta de material genético.
O deputado conseguiu uma liminar nessa ação, realizou a coleta do material genético e pediu que ele seja comparado ao da criança vítima do suposto estupro.
FonteBahia News




