
A Justiça do Rio de Janeiro aumentou as penas dos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em 14 de março de 2018.
Com a nova decisão da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), a pena de Ronnie Lessa passou de 78 anos e nove meses para 81 anos e 10 meses de prisão. Já Élcio Queiroz teve a condenação ampliada de 59 anos e oito meses para 76 anos e seis meses de prisão.
O aumento das penas ocorreu após o colegiado acolher recurso apresentado pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O órgão argumentou que a sentença anterior não havia considerado circunstâncias relevantes na dosimetria das penas.
Na nova análise, os desembargadores levaram em conta a repercussão internacional do caso, o planejamento da ação criminosa e a forma de execução dos homicídios, marcados por diversos disparos efetuados em via pública e em uma área de grande circulação de pessoas.
O Ministério Público também solicitou a revisão da condenação relacionada à tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, que estava no veículo no momento do atentado e sobreviveu ao ataque. Outro ponto destacado no recurso foi o uso de um veículo clonado para a execução do crime.
Relembre o caso
Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados na noite de 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, Ronnie Lessa efetuou 13 disparos contra o carro em que as vítimas estavam, após ser conduzido por Élcio Queiroz. Marielle foi atingida por quatro tiros na cabeça, enquanto Anderson foi alvejado por três disparos. Fernanda Chaves sofreu ferimentos provocados por estilhaços e sobreviveu.
Ronnie Lessa e Élcio Queiroz foram presos em março de 2019. As investigações apontaram que o crime teve relação com disputas envolvendo milícias no Rio de Janeiro. Em 2021, Lessa também foi condenado por destruição de provas ligadas ao caso.
Em março de 2024, a investigação avançou com a prisão dos apontados como mandantes do crime: Domingos Brazão, Chiquinho Brazão e Rivaldo Barbosa. Os três negam envolvimento, mas, em delação premiada, Ronnie Lessa afirmou que recebeu proposta financeira para executar a vereadora, relacionando o crime à atuação de milícias em disputas por terras no estado.
FonteBahia News




