
A Polícia Federal (PF) identificou, durante a investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, uma conversa que faz referência ao envio de presentes de fim de ano para autoridades e lideranças políticas da Bahia. As mensagens foram encontradas no celular do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.
De acordo com o relatório da PF, uma secretária encaminhou a Augusto Lima, em 17 de dezembro de 2024, uma lista com sugestões de presentes. A proposta incluía garrafas de vinho avaliadas entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil destinadas ao senador Jaques Wagner (PT), ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), ao presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, ao prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e ao ex-prefeito da capital baiana ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao Governo da Bahia.

Na conversa, a funcionária escreveu: “Chefe, só para lembrar ao sr da escolha para as lembranças de final de ano”. Em resposta, Augusto Lima afirmou apenas que os dois conversariam posteriormente sobre o assunto.
Segundo a Polícia Federal, embora não haja confirmação expressa sobre qual presente foi efetivamente escolhido, há indícios de que os vinhos tenham sido enviados aos destinatários. Entre os elementos reunidos pela investigação está uma fotografia enviada pela secretária, em 23 de dezembro, mostrando garrafas embaladas para presente com etiquetas identificando os destinatários. Em uma delas aparece a inscrição “De: Guga (Augusto Lima) Para: Jaques”. Outra garrafa seria destinada ao publicitário Guilherme Sodré Martins, conhecido como Tio Guiga, apontado pela PF como pessoa próxima ao senador.
No relatório, a corporação avalia que, apesar de os valores dos presentes serem inferiores às cifras investigadas no caso, o envio pode configurar vantagem indevida em razão das funções públicas exercidas pelos destinatários.
“Embora os valores envolvidos sejam relativamente modestos quando comparados às cifras relacionadas às fraudes já descortinadas no âmbito desta Operação da Polícia Federal, é certo que tais condutas podem caracterizar a concessão de vantagens em razão da função pública, uma vez que todos os destinatários elencados ocupam ou ocuparam caros relevantes na esfera política do Estado da Bahia”, registra o documento.
Os documentos da investigação foram tornados públicos na noite de quinta-feira (30), por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A investigação da PF também apura suspeitas de pagamento de propina do Banco Master ao senador Jaques Wagner. Entre os pontos investigados está a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, que, segundo a corporação, teria utilizado mecanismo semelhante ao empregado em outra negociação envolvendo o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Além disso, os investigadores afirmam ter identificado mensagens indicando que Daniel Vorcaro teria marcado um encontro com Jaques Wagner no Senado Federal, disponibilizado uma aeronave para o parlamentar em um “hangar discreto” e mencionado, em diálogo, que o senador poderia atuar como intermediário para encaminhar recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Procurados pelo jornal O Estado de S. Paulo, os políticos citados foram acionados por meio de assessorias, mensagens e e-mails institucionais. Até a publicação da reportagem, apenas Antonio Rueda havia se manifestado, afirmando: “Garrafas? Não recebi.”
FonteBahia News




