O nome do santo remédio – dolutegravir – não é nada fácil de dizer, muito menos de memorizar, mas seus bons efeitos podem ser verificados no cotidiano dos portadores de HIV. Agora, a grande “torcida” de cidadãs e cidadãos tem mais um forte motivo de vibrar e comemorar, devido à produção nacional do medicamento.
Anota a Fundação Oswaldo Cruz um dos mais belos tentos a favor da política pública de saúde no país, desde o primeiro dos mais de 681 mil casos desde 1991. A depender do viés, portanto, é possível registrar também alguma demora, cabendo à atual gestão do governo federal o aplauso pelo decisivo investimento.
A conquista excede a autonomia tecnológica, transcendendo a conquista científica para afirmar-se como soberania sanitária e de compromisso com a vida. Chegou o tempo de dizer “chega” para a dependência de oscilações do mercado internacional e dar um “basta” ao risco de desabastecimento amiúde à espreita.
Quem precisa conviver com o vírus para evitar os efeitos da síndrome da imunodeficiência adquirida, a AIDS, sabe distinguir bem o medo da angústia. O medo é o de faltar a próxima dose porque o novo lote não chegou, ou seja, tem uma causa externa; angústia é o que fazer sem o remédio do qual a vida necessita.
Na Bahia, são mais de 40 mil pessoas em terapia antirretroviral, 90% delas utilizando dolutegravir, impactando no cuidado e na confiança em seguir lutando. O avanço, porém, não pode tornar-se um projeto de má-fé, como se autorizasse alguma negligência no comportamento de uma população inclinada a esmorecer.
A produção nacional precisa caminhar ao lado de métodos de prudência, campanhas educativas, garantia de direitos básicos e combate às desigualdades. A autonomia da ciência é compatível com a proteção integral de políticas sociais robustas, como forma de reduzir a circulação do vírus, contraído na intimidade. Pode-se lembrar, então, senão do difícil nome do remédio – dolutegravir –, ao menos, seguramente, do velho e bom adágio popular, segundo o qual é bem melhor prevenir.
Fonte:A Tarde




