Briga põe em dúvida candidatura do DC ao Governo da Bahia

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O partido Democracia Cristã (DC) na Bahia ainda não sabe se terá um candidato ao Palácio de Ondina nas eleições de 2026. Enquanto o pré-candidato José Estêvão mantém sua pré-candidatura, uma briga entre os diretórios estadual e nacional ameaça a sua entrada na disputa.

Em entrevista ao portal A TARDE, Estêvao explicou que o imbróglio acontece por conta de um suposto acordo que o presidente nacional da legenda, João Caldas, teria feito com lideranças locais para que o DC não lançasse candidatura no estado.

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“O grupo do governo e da oposição estão interessados na retirada da minha candidatura. Quanto menos candidatos, melhor para eles”, denunciou Estêvão.

O que aconteceu internamente

Em 10 de junho, João Caldas atuou para dissolver o diretório baiano, que tinha como presidente Ariel Capistrano, e retirou a pré-candidatura de José Estêvão.

Contudo, no dia seguinte, o cenário mudou após o postulante ao Palácio de Ondina recorrer da decisão na Justiça Eleitoral. Como consequência, o Judiciário derrubou a antiga composição da sigla, após a legitimidade ter sido contestada pela direção nacional.

Foi nesse sentido que a Justiça deliberou a promoção de uma nova executiva para comandar a legenda promovendo José Estevão como presidente estadual do DC.

Diante do revés na Justiça, Caldas conseguiu reverter a dissolução e nomeou um novo diretório. A atual presidente do DC na Bahia é Veveta e na vice está Ariel, que também é o coordenador e responsável pela nominata.

Após os reveses, Estêvão e Ariel romperam. Estêvão diz que Ariel retornou à diretoria da legenda graças a ameaças que fez de revelar os planos de Caldas ao público. Para a reportagem, Ariel negou qualquer crítica ao presidente nacional do partido, embora áudios que circulam nas redes sociais mostrem o contrário. Ouça.

Fator José Carlos

Em meio a isso tudo, ainda houve uma situação complexa envolvendo o deputado federal recém-nomeado José Carlos Araújo (PDT), que assumiu temporariamente o mandato durante a licença do deputado Leo Prates (Republicanos).

O DC alega que o pedetista se filiou à legenda, o que ele nega. De acordo com registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a filiação ao DC foi registrada no dia 6 de junho. Araújo, no entanto, sustenta que o procedimento ocorreu sem sua autorização e afirma que pretendia discutir a entrada na legenda apenas após formalizar sua saída do PDT.

Deputado José Carlos Araújo.
Deputado José Carlos Araújo. – Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

Em nota, Araújo classificou a atitude do partido a conduta do presidente nacional do DC, João Caldas como “vergonhosa e lamentável”.

Segundo aliados de Araújo, a mudança de posição ocorreu após o DC ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação que questiona a regra sobre a idade mínima para posse em cargos eletivos.

A iniciativa pode beneficiar Álvaro Lira, filho do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, adversário político de João Caldas em Alagoas.

O deputado afirmou que não pretende participar dessa disputa. “Não posso me filiar a um partido para usar minha imagem e meu nome contra um colega meu. Não posso ser instrumento de maldade”, disse em entrevista à CNN Brasil.

João Caldas contesta versão

João Caldas, por sua vez, negou as acusações e afirmou que a filiação ocorreu com autorização de José Carlos Araújo. Segundo o dirigente, houve reuniões, troca de mensagens e envio de documentos pelo próprio deputado e por integrantes de sua equipe para viabilizar o registro.

“Ele foi filiado e sabe. Foi filiado com autorização dele. Quem comunicou a Mesa da Câmara foi ele, pelo e-mail do gabinete”, disse à CNN.

João Caldas também afirmou que a ação apresentada pelo partido no STF não envolve diretamente José Carlos Araújo e disse que uma eventual desfiliação do parlamentar não altera o andamento do processo.

Candidaturas anuladas

Segundo relato de José Estêvão ao portal A TARDE, a confusão não se restringe apenas a Bahia, já que outros estados também estão na mesma situação, a exemplo do Pará e Alagoas.

Ainda segundo ele, esta teria sido a principal causa da desistência do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, de disputar a Presidência da República em outubro.

Barbosa se filiou ao DC em abril e a divulgação, pela direção do partido, de que pretende lançá-lo candidato provocou uma reação imediata de Aldo Rebelo, que havia anunciado a sua pré-candidatura pelo partido. Ele também recuou de entrar na corrida eleitoral.

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Sem candidatura

Pré-candidatos do partido ouvidos pela reportagem, alegaram perplexidade com os problemas que o partido vem enfrentando nos últimos meses. Um deles não sabe sequer dizer quem é o atual presidente da legenda, enquanto outro disse não ter conhecimento se o partido vai mesmo lançar alguém para disputar o Governo da Bahia.

Questionado pela reportagem, Ariel garantiu que o partido não vai lançar candidato ao Governo da Bahia, e revelou que está em negociação para apoiar a candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

“Ele [José Estêvão] já foi avisado pela direção estadual e pela nacional que o partido não têm pretensão de lançar candidato ao governo”, afirmou.

O vice-presidente estadual ainda informou que o DC vai lançar uma “nominata forte” de candidatos ao Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Marcelo Santana e Jarbes Amorim são os nomes do Senado que serão lançados em chapas independentes.

Ainda de acordo com a projeção de Ariel, o partido tem a pretensão de eleger um, deputado federal e um estadual nas eleições de outubro. A convenção está prevista para acontecer no dia 1º de agosto.

A data da sua convenção partidária dos candidatos ao governo já foram definidas. Veja os dias:

  • ACM Neto (União): 22 de julho;
  • Ronaldo Masnur (PSOL): 24 de julho;
  • Aroldo Félix (UP): 25 de julho;
  • Jerônimo Rodrigues (PT): 1º de agosto.

Convenções partidárias

Etapa considerada obrigatória para aqueles candidatos que quiserem aparecer nas urnas, nas eleições de outubro, as convenções partidárias começaram na segunda-feira, 20, com partidos e federações definindo oficialmente os postulantes aos cargos eletivos, além das alianças entre as siglas.

De acordo com a legislação eleitoral, os encontros devem ocorrer até o dia 5 de agosto. Passado esse período, as siglas terão até 15 de agosto para formalizar os pedidos de registro junto à Justiça Eleitoral.





Fonte:A Tarde

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