Um tribunal federal da Califórnia interrompeu temporariamente a tentativa de união entre Paramounte Warner Bros. Discovery, operação estimada em US$ 110 bilhões (cerca de R$ 562 bilhões).
A decisão impede qualquer avanço na fusão pelos próximos 14 dias, período em que a Justiça analisará os argumentos apresentados por autoridades estaduais. A medida foi assinada nesta segunda-feira, 20, pela juíza distrital Araceli Martínez-Olguín, após audiência realizada em Oakland, na Califórnia.
Califórnia lidera ofensiva contra o negócio
A suspensão atende a uma ação movida por uma coalizão de 12 estados norte-americanos, liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta.
Os estados sustentam que a operação viola a legislação antitruste dos Estados Unidos ao criar um conglomerado com influência excessiva sobre a produção, distribuição e exibição de conteúdo audiovisual.
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Segundo o processo, a empresa resultante reuniria alguns dos ativos mais valiosos da indústria do entretenimento, incluindo os estúdios Paramount Pictures e Warner Bros., a rede CBS, canais como CNN, TNT, MTV e BET, além das plataformas Paramount+ e HBO Max.
Poder de mercado é o centro da disputa
Os procuradores afirmam que o novo grupo passaria a controlar quase um terço da produção cinematográfica dos Estados Unidos e aproximadamente um terço da programação da TV por assinatura básica.
Na avaliação dos estados, essa concentração poderia permitir aumento de preços para filmes, séries e canais, redução da concorrência entre produtoras e plataformas, menor diversidade de conteúdo disponível ao público e pressão sobre cinemas, distribuidoras e operadoras de TV.
“Essa fusão levaria a preços mais altos, menor qualidade e menos conteúdo para cinema e televisão”, afirmou Rob Bonta ao comentar a ação.
Temor de mudanças irreversíveis
Outro ponto destacado no processo é o risco de a operação produzir efeitos difíceis de desfazer caso seja concluída antes da decisão final da Justiça.
Os estados argumentam que, uma vez consumada a aquisição, as empresas poderiam iniciar demissões, integrar equipes e compartilhar informações estratégicas e dados comerciais sensíveis.
Se o negócio fosse posteriormente considerado ilegal, reverter essas mudanças estruturais seria complexo e possivelmente inviável, segundo os autores da ação.
Paramount queria concluir a compra em julho
Durante a audiência, o principal advogado da Paramount, Jeffrey Kessler, informou que a companhia pretendia finalizar a aquisição já em 22 de julho, data em que esperava obter todas as aprovações regulatórias necessárias.
A decisão da juíza representa, portanto, o primeiro grande obstáculo oficial enfrentado pela operação desde o anúncio do acordo.
O que acontece agora
Com a suspensão em vigor, Paramount e Warner Bros. Discovery não poderão avançar na integração das empresas enquanto o tribunal avalia o pedido de bloqueio mais amplo apresentado pelos estados.
O caso pode se transformar em uma das disputas antitruste mais relevantes do setor de mídia nos Estados Unidos nos últimos anos, com potencial para redefinir os limites de concentração entre estúdios de cinema, redes de televisão e plataformas de streaming.
Fonte:A Tarde




