O medo e a segurança

PODP BAHIA
Por
2 Min de Leitura
#image_title


O novo Estatuto da Segurança Privada, substituindo uma anacrônica legislação, não funciona como solução mágica, mas sem dúvida há de contribuir para lidar com a pauta. Infelizmente, uma garantia prevista desde a origem da proposta de criação do Estado moderno, aliás, a razão de ser do Estado, tem sido apropriada para negócios lucrativos.

Justificando o avanço do marco legal, o mercado movimenta R$ 48 bilhões, ao gerar milhares de empregos, acompanhando o debate ético incessante e necessário. Entre vigilância patrimonial, transporte de valores, escolta armada e segurança pessoal, o número de estabelecimentos passa de 250, com uma folha de 30,7 mil trabalhadores.

Tudo sobre Opinião em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Enquanto este exército particular cresce, pari passu ao fortalecimento da economia, a previsão de contingente estadual para toda a polícia militar é de 44 mil servidores. Diante deste quadro, toda cautela é pouca para avaliar propostas de empresas, cada qual com suas peculiaridades, pois a proteção não pode sustentar a esperteza de oportunistas.

O medo como estratégia de venda impõe a contratação de produtos e serviços, a exemplo da instalação de câmeras, tornando-se modismo de perfil performático. Não há razão, por exemplo, para chamar a atenção, com excessos de pirotecnia, sinalizando em pisca-pisca o local do aparelho, quando a discrição é mais razoável.

No caso dos recursos humanos, um vigilante armado hoje sai a R$ 3,7 mil mensais, em média, exigindo rigor por parte dos contratantes, evitando-se a afinidade entre gestores. Discursos alarmistas, no limite, acrescentada a forja de episódios, aproveitando-se talento cênico, pode produzir pressão artificial, fragilizando uma isenta análise técnica.

O Estatuto amplia a responsabilidade dos contratantes, ao criminalizar a oferta de segurança armada sem autorização e reforçar o papel da Polícia Federal na fiscalização. Mas nenhuma lei será suficiente se os próprios condomínios continuarem vulneráveis a narrativas para justificar gastos de interesses estranhos à coletividade.





Fonte:A Tarde

Compartilhe Este Artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *