Se queimou no São João? O truque de 20 minutos que alivia a dor e evita cicatrizes

PODP BAHIA
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As festas de São João são sinônimo de alegria, fogueiras, fogos de artifício e comidas típicas. No entanto, essas tradições também trazem um aumento significativo nos riscos de acidentes domésticos. Para garantir que a celebração seja segura em qualquer época, é fundamental saber como agir rapidamente em caso de queimaduras.

Para esclarecer as principais dúvidas sobre primeiros socorros e alertar sobre os perigos das receitas caseiras, conversamos com a Dra. Maura Simonetti Junqueira Bourroul, dermatologista do Grupo Fleury, detentor da Diagnoson a+ na Bahia. Confira as orientações da especialista:

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Como identificar a gravidade da lesão?

Segundo a Dra. Maura, “durante o São João, os acidentes mais comuns envolvem queimaduras térmicas por contato com fogueira, brasas, panelas quentes, líquidos ferventes e queimaduras por explosão de fogos de artifício. Em alguns casos, pode haver queimaduras químicas por pólvora e até lesões associadas, como cortes e trauma ocular”.

Para diferenciar uma lesão leve daquela que exige ida imediata à emergência, a dermatologista explica que as queimaduras leves “costumam causar vermelhidão, ardor e dor local, sem bolhas extensas e em área pequena”. Já os casos que demandam atendimento médico imediato costumam apresentar:

  • Bolhas grandes ou numerosas;
  • Pele esbranquiçada, acinzentada, escurecida ou endurecida;
  • Dor muito intensa ou, paradoxalmente, ausência de dor em áreas profundas;
  • Acometimento de face, mãos, pés, genitais ou articulações;
  • Queimadura elétrica ou por explosão;
  • Sinais de dificuldade para respirar;
  • Queimaduras extensas, especialmente em crianças e idosos.
  • “Nessas situações, a avaliação médica deve ser imediata”, alerta.

O que fazer na hora do acidente?

No momento do susto, a água é a sua melhor aliada. “A primeira conduta é interromper a fonte de calor e afastar a pessoa do risco. Em seguida, resfriar a área com água corrente fresca (não gelada) por cerca de 20 minutos. Sim, essa é uma das medidas mais eficazes e recomendadas, pois ajuda a reduzir a temperatura da pele, aliviar a dor e limitar a progressão da lesão”, ensina a médica.

A especialista também orienta sobre o que retirar do corpo: “Também é importante retirar anéis, pulseiras, relógios ou roupas apertadas próximas à área, antes que o local inche. Se a roupa estiver grudada na pele, não deve ser puxada. Após isso, cobrir com pano limpo ou gaze e procurar orientação médica se necessário”.

Os perigos das receitas caseiras (e das bolhas)

Esqueça a pasta de dente, a manteiga ou o pó de café. A Dra. Maura é categórica sobre os perigos desses mitos populares: “É preciso evitar o uso de itens como pasta de dente, manteiga, pó de café, clara de ovo, pomadas sem indicação e outras receitas caseiras, pois elas podem contaminar a ferida e aumentar risco de infecção, além de irritar ainda mais a pele lesionada, dificultar a avaliação médica da profundidade da queimadura, atrasar a cicatrização e aumentar risco de manchas e cicatrizes. O correto é usar apenas água corrente inicialmente e buscar orientação adequada”.

E se surgirem bolhas? A regra é não estourar. “As bolhas não devem ser estouradas em casa. Elas funcionam como uma proteção biológica natural, ajudando a reduzir contaminação externa e favorecendo a cicatrização do tecido por baixo. Quando necessário, o manejo deve ser feito por profissional de saúde, com técnica adequada e avaliação do tipo de queimadura”.

Atenção redobrada com as crianças

Os pequenos costumam ser as maiores vítimas. “Nas crianças, queimaduras merecem atenção redobrada porque a pele é mais fina e a perda de líquidos pode ser mais rápida”, adverte a dermatologista. A conduta inicial é a mesma: afastar da fonte de calor e resfriar com água corrente fresca por 20 minutos. Depois disso, os passos são:

  • Remover roupas e acessórios não aderidos;
  • Cobrir com pano limpo;
  • Não aplicar receitas caseiras;
  • Oferecer conforto e observar sinais de dor intensa ou sonolência;

Procurar atendimento médico precocemente, mesmo em queimaduras aparentemente pequenas, principalmente se houver bolhas ou se a área atingir rosto, mãos, pés ou tronco.

“Em crianças, o limiar para procurar avaliação médica deve ser mais baixo”, reforça a especialista.

Cuidados com o sol e o mormaço da Bahia

Mesmo no inverno, regiões como a Bahia possuem um mormaço constante, o que exige cuidado redobrado no pós-queimadura para evitar marcas na pele. “A pele recém-queimada fica muito mais vulnerável à pigmentação irregular. Mesmo em dias nublados ou com mormaço, a radiação ultravioleta pode estimular manchas persistentes”, explica a Dra. Maura.

  • Os cuidados para evitar manchas permanentes incluem:
  • Evitar sol direto na área lesionada;
  • Usar roupas que cubram a região;
  • Aplicar protetor solar de amplo espectro FPS 30 ou mais, quando a pele já estiver fechada e cicatrizada;
  • Reaplicar o protetor conforme necessidade;
  • Manter hidratação da pele.

“Esse cuidado deve ser mantido por meses, especialmente em peles mais pigmentadas, que têm maior tendência à hiperpigmentação pós-inflamatória”, conclui a médica.

Onde tratar queimaduras na Bahia

Salvador (Referência): Hospital Geral do Estado (HGE) – Possui centro cirúrgico e UTI exclusivos para queimados. Telefones: (71) 3117-5959 / 5858.

Interior (Referência): Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus. Telefones: (75) 99849-1682, (75) 99911-4962 e (75) 99908-3657.

Interior (Referência): Hospital do Oeste, em Barreiras. Telefones: (77) 3612-9400 / 9470

Emergências temporárias: Durante festejos juninos, o município de Cruz das Almas costuma instalar um Pronto Atendimento a Queimados.





Fonte:A Tarde

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