O caso da mulher de 37 anos que fingiu ter 12 para ser adotada, em Santa Catarina, acendeu um alerta para a população sobre os riscos de adoções ilegais. Conhecida popularmente como “adoção direta”, a prática de acolhimento de uma criança sem a documentação legal é vedada pela lei 12.010/09.
Apesar de não existirem dados concretos sobre a quantidade de casos ilegais no Brasil, os números preocupam profissionais que atuam no processo de adoção, que ainda é precário no país, já que há mais de 30 mil crianças e adolescentes em unidades de acolhimento (abrigos) no país, como aponta o Cadastro Nacional de Adoção (CNA).
Psicóloga especializada em casos de adoção, Aline Santana alerta que as pessoas devem prestar atenção aos sinais claros na hora do processo, para não cair em golpes como o da adulta que fingiu ser criança.

“Às vezes as pessoas estão tão ligadas em seus próprios sonhos e desejos que, mesmo com sinais tão evidentes de que algo ali soa falso ou que tem algo errado, o medo de encarar isso e perder o ganho secundário que aquela mentira esconde é maior do que enfrentar a própria realidade”, pontuou a especialista.
“Casos como esse deveriam ser exceções, mas, ao mesmo tempo, expõem a fragilidade do conhecimento ou do que se pensa sobre o processo de adoção. Nesse caso específico, a pessoa foi pedir abrigo em uma igreja e, em um tom de caridade, alguém acolheu essa mulher que se passou por uma adolescente por 14 meses, sem nenhum tipo de trâmite jurídico ou de preparação. Sem qualquer formalidade legal, trataram e viveram com essa pessoa como se fosse sua filha”.
Adoção não é caridade
Referência no tema, Aline aponta que muitas pessoas ainda enxergam a adoção como uma espécie de caridade e não levam em consideração a importância do processo pelo qual os habilitados devem passar.
“A adoção existe para garantir o melhor interesse de quem será adotado e, quando feita ilegalmente, sem os trâmites jurídicos necessários, pode colocar todos os envolvidos em risco. Para além disso, a criança pode ficar impedida de ser matriculada em uma escola ou de atualizar seu cartão de vacina, ou seja, de ter acesso aos seus direitos básicos garantidos pela lei”, alertou.
“A pessoa tenta burlar o trâmite legal com a justificativa de que foi para ajudar, mas muitas vezes a vida da criança ou adolescente acaba sendo posta em risco com essa manobra”, finalizou.
Fonte:A Tarde




