O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a celebração de um acordo com o Irã para encerrar o conflito militar iniciado no fim de fevereiro.
O anúncio ocorre em um momento de extrema tensão na região, poucas horas após uma série de ataques de Israel contra o Líbano e novas ameaças de retaliação.
O líder republicano confirmou a reabertura do Estreito de Ormuz — rota vital para o comércio global de energia — e a suspensão imediata do bloqueio naval aos portos iranianos.
O Paquistão, que atuou como mediador oficial das conversas, informou que a assinatura do memorando de entendimento vai ocorrer na próxima semana, abrindo caminho para uma nova e complexa fase de negociações.
“O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído. Parabéns a todos! Autorizo integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos.
Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, declarou Trump na rede social privada, Truth Social.
Irã declara vitória
Pelo lado de Teerã, o tom foi de triunfo político. Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, confirmou a suspensão do bloqueio naval e proclamou “o fim imediato e permanente da guerra e das operações militares em várias frentes, incluindo o Líbano”.
De acordo com o representante iraniano, a assinatura formal vai ser na próxima sexta-feira, na Suíça. A partir daí, vai ser iniciado um prazo de 60 dias para que as partes negociem os pontos mais sensíveis do tratado, condicionado ao cumprimento dos compromissos por parte de Washington.
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Impasses
Fim das sanções: Teerã exige a retirada imediata de sanções primárias e secundárias, além da revogação de resoluções condenatórias do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O país também pleiteia a liberação de bilhões de dólares congelados no exterior.
Futuro do programa nuclear: a Casa Branca historicamente exigia o desmantelamento completo do programa, a destruição do material nuclear e garantias de que o Irã não desenvolveria armas atômicas.
O Irã, contudo, bate o pé para manter a capacidade de enriquecimento de urânio para fins civis.
— O inimigo, que atacou para implementar seus objetivos nefastos, sofreu derrota […], e a República Islâmica do Irã obteve grandes vitórias na guerra — afirmou Gharibabadi à imprensa estatal, adotando uma postura de cautela. — Este memorando não significa confiança no inimigo e foi redigido com desconfiança. Monitoraremos o cumprimento dos compromissos dos EUA.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, utilizou a rede social X para informar que os mediadores vão facilitar reuniões técnicas preparatórias ao longo desta semana para pavimentar o caminho até a cerimônia oficial.
Tensão com Israel
O anúncio do acordo quase foi descarrilado horas antes, quando as forças israelenses bombardearam um distrito ao sul de Beirute, no Líbano.
A ação militar irritou o presidente americano, que criticou publicamente o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, defendendo que ações armadas contra o Hezbollah deveriam ter sido evitadas durante a reta final das tratativas diplomáticas.
“O ataque desta manhã em Beirute não deveria ter acontecido, especialmente em um dia tão especial como este, em que estamos tão perto de um acordo de paz com o Irã”, protestou Trump no Truth Social. “Estamos muito perto de um acordo que trará paz à região, incluindo ao Líbano, e todos os lados devem recuar.”
O conflito que agora se desenha para o fim deixou um rastro de destruição na região em pouco menos de quatro meses:
28 de fevereiro: ataque conjunto de EUA e Israel mata o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei. Início oficial das hostilidades; Irã fecha o Estreito de Ormuz e bombardeia bases americanas no Golfo.
2 de março: Líbano entra oficialmente no conflito por meio do Hezbollah. Israel lança ofensiva militar massiva que resultou em mais de 3.700 mortes em solo libanês.
8 de abril: firmada uma trégua parcial entre Washington e Teerã. Cessa a maior parte dos ataques diretos entre EUA e Irã, mas a guerra continua ativa entre Israel e o Líbano.
Junho: Paquistão media conversas secretas. Anúncio do acordo atual de cessar-fogo e reabertura das rotas marítimas.
Fonte:A Tarde




