Pesquisadores da Universidade de Shenyang, na China, desenvolveram um plástico à base de bambu tão resistente quanto o derivado do petróleo, biodegradável em 50 dias. Recentes avanços em materiais biodegradáveis à base de bambu, destacam como a inovação sustentável pode remodelar o futuro das embalagens e dos produtos de consumo. O plástico rígido feito de bambu é tão forte e durável quanto os convencionais para usos como eletrodomésticos e interiores de carros, mas também é reciclável e se biodegrada facilmente no solo.
“O rápido crescimento do bambu o torna um recurso altamente renovável, oferecendo uma alternativa sustentável às fontes tradicionais de madeira, lamentavelmente, suas aplicações atuais ainda estão limitadas a produtos trançados mais tradicionais”, diz o professor Dawei Zhao. A inovação ganha verdadeiro significado quando aborda desafios da humanidade.
Os plásticos biodegradáveis podem se decompor e retornar aos seus elementos naturais de forma rápida por meio da ação de processos biológicos, e a atividade de microrganismos como bactérias, fungos e outros fatores ambientais naturais. A escala atual do uso de plástico biodegradável, contudo, ainda é muito pequena, representando menos de 1% de toda a produção mundial de resinas plásticas.
Enquanto a indústria química convencional injeta anualmente mais de 430 milhões de toneladas de plástico fóssil no mercado global, a produção real de bioplásticos gira em torno de 1,67 milhão de toneladas (com capacidade instalada de até 2,47 milhões de toneladas), evidenciando um abismo comercial ainda que com forte aceleração de crescimento.
Pequenas inovações geram um grande impacto ambiental positivo. Grandes varejistas e indústrias estão integrando taxas de Responsabilidade Estendida do Produtor (REP) e metas rígidas de descarbonização em suas cadeias de suprimentos, leis que proíbem plásticos de uso único e o avanço de tratados internacionais forçam marcas a adotarem materiais compostáveis.
O mercado global de plásticos biodegradáveis está em rápida expansão, impulsionado por proibições regulatórias de uso único e metas de sustentabilidade corporativa. Segundo projeções do Instituto de Produtos Biodegradáveis (BPI) há previsão de crescimento dos atuais US$ 19,32 bilhões para mais de US$ 92,15 bilhões até 2032, registrando uma Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) superior a 21,5%.
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Hoje, milhões de quilos de resíduos plásticos entram no ambiente marinho degradados em partículas microscópicas que contaminam ecossistemas desde a superfície até as fossas abissais. A poluição por plásticos nos oceanos gera crises econômicas e sanitárias globais, afetando mais de 88% das espécies marinhas estudadas e ameaçando diretamente a segurança alimentar humana. Microplásticos entram na base da cadeia alimentar, como no plâncton, e chegam até os humanos pelo consumo de peixes e frutos do mar poluídos.
A chamada ‘Grande Mancha de Lixo do Pacífico’ é formada por um giro de partículas de detritos de 1,6 milhão km² (equivalente ao estado do Amazonas, maior estado do Brasil, representando quase 18% de todo o território nacional) no centro do Oceano Pacífico Norte, segundo pesquisadores do Ocean Cleanup.
Embora os microplásticos dominem a área em quantidade, 92% do total consiste em objetos como escovas de dente, garrafas de água, canetas, isqueiros, mamadeiras, celulares, sacolas plásticas e grânulos de plástico – parte do plástico tem mais de 50 anos. Uma mancha semelhante de detritos plásticos flutuantes é encontrada no Oceano Atlântico Norte.
A poluição plástica continua a impactar ecossistemas, oceanos e a vida selvagem em todo o mundo. O próximo grande avanço em sustentabilidade pode não vir de uma fábrica, mas sim da própria natureza. Pesquisadores estão explorando materiais que combinam a resistência e a funcionalidade dos plásticos tradicionais com um desempenho ambiental significativamente melhorado.
Assim como o bambu, um dos recursos renováveis de crescimento mais rápido na Terra que está ganhando destaque, a biomassa das algas, tem flexibilidade, leveza e capacidade de moldagem, também serve para produção de bioplásticos como substituto dos polímeros derivados do petróleo.
A produção global de bambu varia entre 25 e 35 milhões de toneladas anualmente, com aproximadamente 37 milhões de hectares cultivados em todo o mundo. A China é a líder incontestável do setor, produzindo mais de 30 milhões de toneladas por ano (cerca de 50% da oferta global) e respondendo por cerca de 70% do total das exportações mundiais.
O Brasil, com cerca de 250 espécies nativas, é o principal produtor das Américas com grandes reservas naturais que abrangem aproximadamente 9,3 milhões de hectares, abrigando, no Acre, a maior floresta nativa de bambu do mundo, com cerca de 4,5 milhões de hectares.
O mercado de plásticos biodegradáveis é impulsionado por uma mudança na preferência do consumidor em direção à utilização de produtos ecologicamente corretos, induzindo a concorrência com diversas empresas disputando a liderança em soluções sustentáveis. Mais de 90 países em todo o mundo promulgaram proibições totais ou parciais de sacolas plásticas, ou implementaram alguma forma de restrição, taxa ou proibição total.
No Brasil, 60% das capitais brasileiras possuem hoje legislações que proíbem ou regulam o uso de sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais. Em Salvador, o uso de sacolas não recicláveis é proibido pela Lei Municipal nº 9.699/2023. Embora a ampliação dessas tecnologias ainda seja um desafio, avanços como esses demonstram o poder de combinar ciência, sustentabilidade e inovação para enfrentar problemas do mundo real.
Fonte:A Tarde




