Daqui a 52 dias, o crime que vitimou Paulo César Perrone, ex-músico da banda de forró Estakazero, considerado um dos delitos que mais impactou a Bahia, completará 15 anos. O ano era 2011, quando, no dia 19 de julho, uma terça-feira, o baterista foi abordado por criminosos e atingido por disparo de arma de fogo na região da cabeça, momentos após deixar uma agência bancária no bairro do Caminho das Árvores, em Salvador.
Com o decorrer das investigações, a Polícia Civil chegou à conclusão de que o músico foi vítima de uma ‘saidinha bancária’, modalidade criminal que, por muitos anos, era frequente na Bahia. No dia do ocorrido, ele dirigia seu veículo quando dois criminosos, a bordo de uma motocicleta, atiraram contra Paulo. À época, aproximadamente oito dias após o delito, a polícia, depois de ouvir testemunhas e avançar nas diligências, divulgou à imprensa que os criminosos, depois de terem baleado a vítima, abriram a porta do carona e levaram uma quantia em dinheiro que estava em um envelope.

Perrone sobreviveu ao assalto e, durante quase três anos, lutou pela vida. Infelizmente, o disparo na cabeça levou o músico a ter vários problemas neurológicos. Foram 35 dias em coma induzido e mais de 24 meses acamado. Nesse período, ele ficou internado no Hospital Geral do Estado e no Hospital das Clínicas, antes de seguir para tratamento domiciliar.
Em outubro de 2013, Perrone apresentou complicações no quadro de saúde e voltou a ser hospitalizado. No dia 28 de dezembro do mesmo ano, o músico não resistiu e morreu, depois de conviver por quase três anos com complicações neurológicas ocasionadas pelo disparo do dia 19 de julho de 2011.

Mãe de Perrone recebeu equipe do BNews antes de perder o filho
No dia 04 de março de 2013, nove meses antes de perder o filho, a mãe de Paulo Perrone recebeu a equipe do BNews em sua casa, no município de Lauro de Freitas. Na entrevista, Lúcia Roriz relatou que abandonou a sua carreira de empresária para cuidar do filho. Naquela época, ela também relatou que os tratamentos estavam sendo custeados pela família e minimamente pelo Estado. Nessa mesma entrevista, ela revelou que o banco, além de ter falhado na segurança da agência onde Paulo sacou R$ 3 mil, se recusou a pagar os procedimentos médicos.
Bateristas fizeram show beneficente
Em um ato de solidariedade, parceria e empatia, cerca de 100 músicos realizaram, em abril de 2012, o 1º Encontro de Bateristas de Salvador, com a finalidade de destinar todas os valores adquiridos nas vendas de camisas para a família do baterista Paulo Perrone. O evento reuniu nomes como Beto Martins, Marcel Freire ( Netinho) Buguello ( Cláudia Leitte), Robinson Cunha,Uirá Nogueira (professor de bateria da UFBA) Lucas Occilupo (Tuca Fernandes), Cássio Brasil,Anderson Silva (Banda Eva) , Fábio Rocha,Patrícia Telles e outros integrantes do Portal Bateras Pro.
Apreensão da arma que atingiu Perrone localizada com froragido
A arma, uma pistola calibre 380, que vitimou o baterista foi apreendida em agosto de 2011, no bairro de São Caetano, em Salvador, com um foragido da Colônia Penal Lafayete Coutinho, onde cumpria pena por roubo. A informação foi divulgada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), no dia 25 de agosto de 2011, após laudo comparativo elaborado pelo Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto (Icap), do Departamento de Polícia Técnica (DPT), confirmar que o armamento foi o mesmo usado no latrocínio.

“Durante depoimento, Márcio afirmou que Leonardo Bruno dos Santos Santana, o ‘Léo’, autor do disparo contra o músico, pediu a ele, há cerca de 10 dias, que guardasse a arma. Segundo o diretor do DCCP, delegado Cleandro Pimenta, o exame balístico liberado na quarta-feira (24) comparou os projéteis encontrados no carro do músico, com a pistola apreendida e obteve resultado positivo. O laudo pericial deverá foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o crime”, divulgou a SSP na época.
Prisão de Dama de ouros do Baralho do crime envolvido no assalto
Ainda no decorrer de elucidação do crime, a SSP-BA integrou no Baralho do Crime, ferramenta que reúne os criminosos mais perigosos da Bahia, um dos suspeitos de participação no assalto. Identificado como Luiz Cláudio Dacttes Magalhães, o ‘Dinho’ ou ‘Baixo’, ele passou a ocupar a carta ‘dama de ouros’, sendo preso no dia 28 de fevereiro de 2012, no bairro de Cajazeiras VII, por uma equipe da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR).
“Luiz Cláudio era o ‘olheiro’ de uma quadrilha especializada em assaltos na modalidade ‘saidinha bancária’ e em assaltos a estabelecimentos comerciais, principalmente lojas de eletrodomésticos. A polícia suspeita que o bando tenha praticado mais de 100 ‘saidinhas bancárias’ em Salvador e região metropolitana”, disse a SSP, no dia da prisão do suspeito.
Condenação dos envolvidos
Ao todo, três criminosos envolvidos no assalto foram condenados pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), a 20 anos de prisão. A condenação ocorreu em agosto de 2012, durante julgamento realizado na na 8ª Vara Criminal, em Salvador. Posteriormente, eles foram levados para a Penitenciária Lemos Brito, no bairro de Mata Escura, na capital baiana.
Reportagem procurou a banda Estakazero
A reportagem procurou a banda Estakazero para ouvir um dos integrantes do grupo, porém, por meio da assessoria de comunicação, informou que “este assunto abala muito toda equipe” e, por esse motivo, “preferimos não falar”;




