Nos últimos anos, houve um aumento “notável” no número de americanos com dificuldades para colocar comida na mesa, e isso pode estar contribuindo para os níveis historicamente baixos de confiança do consumidor, mostrou uma nova pesquisa do Federal Reserve de Nova York de quarta-feira (27).
O Fed de Nova York atualizou uma análise de 2020 sobre os efeitos financeiros da pandemia com dados recém-coletados da Pesquisa de Expectativas do Consumidor.
Os pesquisadores descobriram que uma parcela maior de americanos se tornou mais vulnerável à insegurança alimentar do que em maio e junho de 2020, lutando para conseguir alimentos, perdendo refeições ou recebendo doações de alimentos ou assistência nutricional federal.
“Constatamos um aumento notável na insegurança alimentar, particularmente entre famílias de baixa renda e com menor escolaridade e famílias com crianças pequenas”, compartilharam os pesquisadores do Fed de Nova York na quarta-feira (27).
Esses mesmos grupos também relataram aumentos no pessimismo em relação ao bem-estar financeiro.
Embora não seja necessariamente causal, a associação entre o aumento da insegurança alimentar e o aumento do pessimismo aponta para uma possível explicação de por que a confiança do consumidor nos Estados Unidos está em baixa, apesar dos dados econômicos permanecerem relativamente resilientes, apontaram os pesquisadores.
A desigualdade de renda e riqueza persiste há muito tempo nos EUA, mas as experiências e os resultados econômicos dos americanos tornaram-se cada vez mais desiguais nos últimos anos.
Essa dinâmica, frequentemente chamada de economia em “formato de K”, é definida por uma crescente desigualdade na forma como os americanos de baixa e alta renda gastam, ganham e acumulam riqueza.
Aqueles que se encontram na metade superior da curva em K viram as finanças e patrimônio familiar aumentar.
Enquanto isso, aqueles na extremidade inferior da curva em K enfrentaram níveis significativamente maiores de dificuldade financeira devido ao alto custo de vida, à crise inflacionária pós-pandemia e a mais de cinco anos de preços subindo mais rápido do que o normal.
“A maior pressão financeira devido ao alto custo de vida, combinada com o fim dos auxílios da Era da pandemia (como a expansão dos benefícios do Supplemental Nutrition Assistance Program), levou a preocupações renovadas sobre a insegurança alimentar entre aqueles na base da curva em K”, escreveram pesquisadores do Fed de Nova York.
Em fevereiro de 2026, 10% das famílias entrevistadas disseram não ter comida suficiente, um aumento em relação aos 4% registrados em junho de 2020, conforme os dados divulgados na quarta-feira (27). A proporção de pessoas que recebem doações de alimentos aumentou (de 10,6% para 15,8%), assim como a de beneficiários do Supplemental Nutrition Assistance Program (de 10,6% para 17,9%), e mais de um terço dos entrevistados usou as economias para cobrir despesas (36,8% contra 21,8%).
Os dados da pesquisa do Fed de Nova York foram coletados antes da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, que posteriormente resultaram em uma crise no fornecimento de petróleo, causando um aumento nos preços da gasolina e agravando ainda mais as preocupações com a acessibilidade financeira.




