A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. De acordo com a analista de Política Clarissa Oliveira, o governo conseguiu um resultado considerado melhor do que o esperado na votação da proposta.
Apesar do avanço na Câmara, a pauta ainda enfrenta resistência na outra casa legislativa. No Live CNN desta quinta-feira (28), Clarissa destacou que a relação entre o Palácio do Planalto e Davi Alcolumbre (União-AP) segue tensa, e que o diálogo ainda está longe de garantir um acordo tranquilo no Senado.
“O governo conta que vai haver empenho dos senadores, de não botar a digital contra o interesse do eleitor neste momento”, observou Clarissa.
Como estratégia adicional para reduzir a resistência no Senado, o governo estuda oferecer algum tipo de suporte direcionado exclusivamente ao micro e pequeno empresário.
Essa ajuda não viria por meio de desoneração ou compensação fiscal, mas sim por linhas de crédito que permitam ao pequeno empresário se adaptar com mais facilidade à nova realidade.
“O governo não quer de jeito nenhum que o fim da escala 6×1 se transforme em chamariz para mais desoneração, mais compensação, até para empresas que nem sequer faziam o uso da escala 6×1 até agora”, disse Clarissa Oliveira.
Negociações com o Senado
Clarissa explicou que o governo havia encurtado ao máximo o prazo de transição, de aproximadamente um ano, já prevendo que poderia ser necessário ampliá-lo ao longo da votação na Câmara, para preservar margem de negociação no Senado Federal.
“No Plenário, por meio de uma atuação bastante incisiva da base governista e uma série de acordos que tiveram respaldo muito forte por parte do presidente da Câmara, Hugo Motta, foi possível conter os movimentos para mexer nessa transição ainda na Câmara dos Deputados”, destacou Clarissa.
Com isso, segundo Clarissa, o governo envia a proposta ao Senado com uma margem de manobra considerada mais folgada para as negociações.
“O governo já conseguiu um quadro que lhe é satisfatório do ponto de vista eleitoral. O Planalto trabalhou desde o início dessa proposta com o objetivo de ter um fruto nas urnas e ganhar a adesão do eleitor que se afastou do governo do presidente Lula”, afirmou.




