Quantos votos vale nas eleições brasileiras uma foto com Donald Trump? O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) acha que vale alguma coisa.
Quem sabe ocupa o lugar de outras fotos. Como a cara do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a quem foi pedir dinheiro para fazer um filme sobre o pai, segundo Flávio.
Ou o lugar de fotos do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) um personagem de considerável destaque no bolsonarismo regional e alvo hoje de uma operação da Polícia Federal ligada ao escândalo do Banco Master.
Mas o que a visita a Trump diz sobre o Brasil e os Estados Unidos sob um eventual governo de Flávio Bolsonaro?
Ao lado dele estava o irmão Eduardo Bolsonaro (PL), que se empenhou em conseguir que o governo americano prejudicasse o Brasil como forma de favorecer seu agrupamento político, e por isso está sendo processado.
Flávio prometeu coisas velhas, como resolver o contencioso comercial iniciado pelos americanos e aplaudido pelo irmão.
Mas prometeu também que o Brasil faria parte do Escudo das Américas, um tipo de alinhamento de defesa que sempre foi evitado pelas Forças Armadas daqui — mesmo mantendo estreitos laços com a potência militar americana.
É curioso notar tal idolatria de Trump quando ele não hesitou em deixar Jair Bolsonaro abandonado, quando achou que Lula (PT) lhe oferecia mais do que um político na cadeia.
Atrelar o Brasil a Trump, como Flávio e seu irmão sugerem, não é só um erro estratégico no grande confronto geopolítico no qual o que se exige do Brasil é equilíbrio — coisa que Trump não tem.
É submeter o interesse nacional ao interesse de um agrupamento político, comandado pelos Bolsonaros. A mesma crítica que sempre se fez a Lula e o PT.




