Entenda o que é preciso para acabar com a guerra no Irã

PODP BAHIA
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As negociações para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã avançaram nos últimos dias, mas ainda esbarram em impasses considerados centrais pelas duas partes.

Enquanto Washington e Teerã tentam transformar o atual cessar-fogo em um acordo duradouro, questões como o programa nuclear iraniano, o controle do Estreito de Ormuz, o fim das sanções econômicas e a atuação militar na região seguem travando um entendimento definitivo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, convocou uma reunião de gabinete na Casa Branca para esta quarta-feira (27), em meio às discussões diplomáticas mediadas pelo Paquistão. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os lados ainda divergem sobre pontos específicos do texto do acordo.

“As negociações estão avançando de maneira ordenada e construtiva”, afirmou Trump nos últimos dias, ao mesmo tempo em que reforçou que os EUA não irão “se precipitar em um acordo”.

Apesar do avanço diplomático, o clima na região continua tenso. O Irã acusou os Estados Unidos nesta terça-feira (26) de violarem repetidamente o cessar-fogo e atacarem navios mercantes iranianos e áreas próximas ao Estreito de Ormuz. O governo iraniano classificou as ações como prova de “engano e traição” por parte de Washington.

Os EUA confirmaram que realizaram ataques de “autodefesa” contra posições iranianas próximas ao estreito, alegando proteção às tropas americanas na região.

Em que estágio estão as negociações?

Segundo autoridades iranianas, muitas conclusões já foram alcançadas em um possível memorando de entendimento com cerca de 14 pontos principais. No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que isso não significa que um acordo esteja próximo de ser finalizado.

A proposta em discussão prevê o fim gradual das hostilidades e daria um prazo de até 60 dias para negociações mais profundas sobre temas considerados mais complexos, especialmente o programa nuclear iraniano.

O diplomata iraniano Hossein Nooshabadi declarou à agência de notícias ISNA, na segunda-feira, que o possível acordo preliminar incluía o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a liberação de ativos iranianos bloqueados, o levantamento do bloqueio naval dos EUA e a abertura do Estreito de Ormuz, a retirada das forças americanas das proximidades do Irã e a liberdade de vender petróleo iraniano.

Segundo Nooshabadi, o texto preliminar não inclui compromissos diretos sobre o programa nuclear do Irã, justamente um dos principais pontos de divergência com Washington.

O que falta para um acordo?

Programa nuclear iraniano

A principal preocupação dos Estados Unidos e de Israel é o enriquecimento de urânio realizado por Teerã. Washington acusa o Irã de buscar capacidade para desenvolver armas nucleares, algo que o governo iraniano nega.

Uma das propostas discutidas envolve uma moratória prolongada no enriquecimento de urânio, além da exportação ou diluição do estoque iraniano de material altamente enriquecido.

Uma fonte do governo americano afirmou que o Irã teria concordado “em princípio” em abrir mão do estoque de urânio altamente enriquecido, mas Teerã negou oficialmente qualquer compromisso nesse sentido.

Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais sensíveis da negociação. A passagem marítima concentra parte significativa do comércio mundial de petróleo.

O Irã considera o controle da região um ativo estratégico e quer manter influência sobre a navegação local. Já os Estados Unidos pressionam pela garantia de livre circulação internacional no estreito.

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que 25 embarcações atravessaram Ormuz nas últimas 24 horas após coordenação de segurança com a Marinha iraniana.

Sanções econômicas e ativos congelados

O Irã exige o fim das sanções impostas pelos EUA e a liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos bloqueados em bancos estrangeiros.

A economia iraniana enfrenta anos de pressão econômica e inflação elevada por causa das restrições internacionais. Teerã também cobra compensações pelos danos causados durante a guerra.

Mísseis balísticos

Outro tema sensível envolve os mísseis balísticos iranianos. Antes do conflito, Washington exigia limites para o alcance desses armamentos, especialmente para impedir ameaças diretas contra Israel.

O Irã, porém, rejeita discutir seu arsenal, alegando que armas convencionais fazem parte de sua soberania nacional.

Como o acordo pode avançar?

Caso o memorando de entendimento seja aprovado pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, ele será enviado ao líder supremo do país para aprovação final.

Segundo fontes americanas, Washington acredita que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, já apoiou a estrutura geral das negociações.

Se a primeira fase do acordo for implementada, as partes deverão iniciar uma nova rodada de negociações específicas sobre o programa nuclear durante o período de 60 dias previsto no texto.

O desafio, porém, segue sendo transformar avanços diplomáticos em compromissos concretos enquanto ataques militares continuam acontecendo em diferentes pontos do Oriente Médio.

(Com informações de Maureen Chowdhury e Mohammed Tawfeeq, da CNN, e Parisa Hafesi, Angus Mcdowall e Michael Georgy, da Reuters)



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