Bahia se torna polo de integração energética na abertura do BOGE 2026

PODP BAHIA
Por
9 Min de Leitura
#image_title


O Centro de Convenções de Salvador abriu as portas nesta quarta-feira, 27, para o Bahia Oil & Gas Energy (BOGE 2026), o maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste. Gratuito e voltado para profissionais e estudantes da área, o evento segue até sexta-feira, 29, com foco em alinhar desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.

A programação une
feira de negócios, conferências internacionais, arenas temáticas e cursos formativos direcionados a profissionais e estudantes da área.

A estimativa para os três dias de atividades aponta para um crescimento expressivo em comparação aos anos anteriores. De acordo com Elisa Pernisa, embaixadora do
BOGE, a edição atual estabelece novos parâmetros de participação e infraestrutura para a conferência.

“Na edição de 2026, a gente está quebrando diversos recordes com relação às edições anteriores. A gente tem expectativa de um público de 15 mil pessoas ao longo dos três dias de evento. Esse ano, a gente também tem 300 marcas expositoras. É um evento que vem crescendo a cada ano. Esse ano, nós temos também representantes de 20 países distintos, quatro delegações bem grandes: Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Argentina”, apontou a embaixadora, em entrevista ao
portal A TARDE.

Elisa Pernisa, embaixadora do BOGE
Elisa Pernisa, embaixadora do BOGE – Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Pernisa destacou ainda o papel histórico do estado no segmento e as projeções financeiras anunciadas recentemente para o território baiano.

“A Bahia é o berço da nossa indústria do petróleo e gás, mas é um estado com vocação para todas as energias. A nossa pauta é a descarbonização e integração energética. O evento tem a participação das operadoras e produtoras de petróleo, tanto as independentes quanto a Petrobras, que anunciou recentemente no plano de negócio uma previsão de investimento na casa de 18 bilhões de reais ao longo de cinco anos só no estado da Bahia”, complementou.

Tudo sobre Bahia em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

O cenário geopolítico e o papel estratégico do Brasil

O avanço do mercado nacional ocorre em meio a transformações no panorama internacional. Eduardo Aragon, apoiador do evento através da Brain Market, analisou as oscilações globais provocadas por conflitos externos.

“Qualquer conflito gera incerteza de investimento. O que eu quis dizer com oportunidade para o Brasil é de você ter uma área em que você não tenha problemas de conflito como no Oriente Médio hoje, com o Estreito de Ormuz. A Europa hoje está sofrendo porque cortaram o gás que vinha da Rússia. Então acho que isso aqui é um porto mais seguro para investimento, não tenha dúvida”, avaliou Aragon.

Eduardo Aragon, apoiador do Boge 2026
Eduardo Aragon, apoiador do Boge 2026 – Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Aragon ressaltou ainda o reposicionamento geográfico do setor produtivo no país. “Essa quarta edição vai ser a maior edição do Bahia Oil & Gas que nós tivemos. Hoje é o segundo maior evento de óleo e gás do Brasil. Nós estamos vendo o eixo da cadeia produtiva do sudeste começar a olhar para o nordeste e para o norte, começando por Sergipe, já com a contratação de dois FPSO de águas profundas. O grande desafio vai ser como nós vamos ter que construir a qualificação não só de profissionais como de empresas para atuarem num país continental”, alertou.

Investimentos em refino e valorização da cadeia de fornecedores

A infraestrutura e o refino também ocupam espaço central nos debates do primeiro dia. Celso Ferreira, vice-presidente de operações da Acelen, detalhou a consolidação da feira e os aportes financeiros direcionados à modernização e ampliação da capacidade produtiva local.

“A Bahia Oil & Gas vem se consolidando ao longo desses quatro anos de existência como fórum central para o setor de óleo e gás, seja do Nordeste, da Bahia e do Brasil. Então a Acelen, como um player relevante que veio para transformar o setor de energia brasileira, tem que estar presente, tem que mostrar tudo que ela está fazendo em termos de transformação do setor de refino para assegurar o abastecimento, para ser cada vez mais competitiva e atrativa e também toda a questão da sustentabilidade, que é um pilar marcante da nossa trajetória”, pontuou Ferreira.

Celso Ferreira, vice-presidente de operações da Acelen
Celso Ferreira, vice-presidente de operações da Acelen – Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

O executivo apresentou dados consolidados sobre as operações da companhia na refinaria de Mataripe, destacando o impacto socioeconômico das novas frentes de trabalho.

“Nós investimos mais de 3 bilhões de reais, vamos investir esse ano mais 600 milhões de reais e concluímos uma ampliação da produção de diesel que alcança agora 25%. Acho que isso marca o compromisso com o abastecimento e também com o desenvolvimento e o crescimento da refinaria de Mataripe, que para a Bahia é fundamental enquanto geração de riqueza, geração de impostos e de empregos”, explicou o vice-presidente de operações.

O fortalecimento da identidade regional e o resgate histórico das companhias independentes marcam os estandes institucionais da feira. Marília Nogueira, diretora de comunicação, relação com investidores e sustentabilidade da PetroReconcavo, explicou a estratégia de comunicação da empresa para engajar os visitantes.

“A PetroReconcavo tem 25 anos de operação, começou aqui no Recôncavo Baiano com seu primeiro ativo. O que a gente traz no core do nosso estande é exatamente toda a história que a gente criou. Trouxemos o DNA das pessoas que trabalham dentro da companhia, da cultura que a gente tem. A companhia é pioneira dentro do onshore aqui e pioneira das empresas independentes, conhecida pela capacidade técnica”, afirmou Nogueira.

Marília Nogueira, diretora de relações com investidores comunicação e sustentabilidade da PetroReconcavo
Marília Nogueira, diretora de relações com investidores comunicação e sustentabilidade da PetroReconcavo – Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Soluções socioambientais e presença corporativa

A preocupação com o meio ambiente e as diretrizes de governança corporativa pautam a atuação dos expositores. Ivan Sant Anna, diretor comercial da Cetrel, apresentou o portfólio voltado ao atendimento de demandas ecológicas industriais.

“A Cetrel é uma empresa de soluções ambientais para a indústria que possui quatro verticais de negócio: tratamento de água, efluentes e incineração; área de resposta a emergências e consultoria ambiental; e a gestão de resíduos para a indústria (TWM). O público que vem ao estande pode conhecer nosso portfólio e interagir para entender o que significa o negócio de soluções ambientais para a indústria”, disse Sant Anna.

Ivan Sant Anna, diretor comercial Cetrel
Ivan Sant Anna, diretor comercial Cetrel – Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

A consolidação do BOGE como espaço de relacionamento também foi enfatizada por Lilian Rossetto, gerente geral de comunicação da Transpetro, que ressaltou a relevância técnica das discussões para a companhia.

“A Transpetro está presente no BOGE desde a primeira edição. A gente está presente em vários congressos técnicos, arenas de inovação, rodadas de negócios. Todo o público presente pode conhecer um pouco das nossas atividades e participar das nossas ativações que mostram a nossa atividade de norte a sul do país”, concluiu Rossetto.

O evento prossegue com rodadas de negócios internacionais, apresentações de artigos acadêmicos estrangeiros e painéis dedicados à transição e diversificação da matriz energética regional nas arenas ESG e de Inovação.





Fonte:A Tarde

Compartilhe Este Artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *