Morto no último sabado (23), o fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, tinha apelido sua preparação para competir de “Projeto Dallas”, em referência ao também fisiculturista Dallas McCarver, americano que morreu em 2016, após um ataque cardíaco enquanto comia.
Atualmente, Ganley estava em preparação para competir no Musclecontest Brasil, que acontecerá em julho deste ano, em Curitiba (PR).
Em novembro do ano passado, Ganley havia publicado um vídeo em seu canal no YouTube com o título “Cruz vai me ajudar com o projeto Dallas”, mencionando seu treinador Marcelo Cruz, que o acompanhava durante as preparações.
A autópsia de McCarver apontou que ele tinha o coração aumentado, pesando cerca de 800 gramas, tendo um coração normal a média de 300g.
Ele era casado com Dana Brooke, lutadora profissional de wrestling, e tinha 26 anos quando faleceu.
Em competições, o americano venceu os títulos gerais e das categorias Super Heavyweight (Super Pesado) no North American Championships em 2012, onde conquistou seu cartão de atleta profissional aos 21 anos.
Já como profissional, se destacou vencendo o California State Pro em 2015 e o Chicago Pro em 2016
O atleta também sofria de aterosclerose, condição onde há acúmulo de placas de gordura (colesterol), cálcio e outras substâncias nas paredes das artérias, o que faz com que o sangue passe com maior dificuldade, levando menos oxigênio ao corpo.
Além disso, Dallas também tinha os rins hipertrofiados, o que poderia levar a uma falência renal, bem como os pulmões mais pesados, com cerca de 600 gramas cada, e hepatomegalia, termo utilizado para descrever o aumento anormal do tamanho do fígado.
No documento, o “uso crônico de esteróides exógenos e hormônios” foram colocados como condições que contribuíram para a morte de McCarver.
À CNN, a médica endocrinologista Juliane Baptista Braziliano, alertou que o uso recreativo de hormônios por meio dos atletas de fisiculturismo para fins de performance não é seguro e pode levar a graves consequências como a morte.
Ainda segundo a médica, os danos causados nos orgãos são irreversíveis.
“Essas medicações não são seguras para esses fins (…) muitas pessoas estão utilizando diversas medicações, sem recomendação e acompanhamento médico, apenas com o intuito de performance, arriscando a própria saúde e a própria vida”, disse.
Morte de Ganley
A morte precoce do jovem atleta gerou grande repercussão nas redes sociais e no meio do fisiculturismo após ser confirmada pela Integral Médica, empresa de suplementação esportiva da qual fazia parte.
Fenômeno nas redes sociais, o atleta tinha mais de um milhão e meio de seguidores e ganhou notoriedade com o público jovem compartilhando sua rotina de treinos e dieta.
Antes de começar a gravar vídeos para a internet, o atleta chegou a cursar Educação Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Até o momento, a causa oficial do que levou Ganley a óbito não foi divulgada.
Entretanto, um áudio de um amigo de Ganley revelou os bastidores que antecederam a morte do jovem.
Na gravação a qual a CNN teve acesso, o amigo de Ganley diz que o atleta aplicou insulina na noite de sexta-feira (22), levando a um quadro de hipoglicemia – condição em que os níveis de açúcar (glicose) no sangue caem abaixo do normal.
Ainda no áudio, esse amigo comenta que após isso o atleta dormiu, não acordando mais.
“Ele aplicou insulina ontem à noite. E começou a ter hipoglicemia. E, nessa, ele dormiu. E não pode, tá ligado? (sic) Ele dormiu, não acordou mais“, disse.
A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas para controle da glicose, e o uso exógeno, em forma de injeção, é recomendado apenas para pacientes diabéticos.
Entretanto, o medicamento é comumente usado por atletas de fisiculturismo devido a seu poder altamente anabólico, facilitando o transporte de glicose, aminoácidos e creatina para dentro das células musculares. Com isso, associada a dieta e treino, a recuperação muscular pós treino é maximizada, junto com o armazenamento de energia (glicogênio) no músculo, promovendo o crescimento mais rápido e evitando a perda de massa muscular.
A morte é investigada como suspeita, segundo informou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Em nota, a SSP afirmou que a vítima foi localizada por um amigo, e que “não foram encontrados sinais aparentes de violência no local”.
Uma perícia foi realizada no apartamento de Ganley e o caso foi registrado como “morte súbita – morte suspeita”.
Em situações como essa, o registro de morte suspeita não significa, necessariamente, indício de crime, mas sim de classificação utilizada quando a causa da morte ainda não está esclarecida, dependendo de exames periciais para ser determinada.




