BYD quer fazer da Bahia o maior polo de eletromobilidade da América Latina

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A chegada da montadora chinesa BYD ao antigo complexo da Ford, em Camaçari, marcou mais do que a instalação de uma nova fábrica no Polo Industrial baiano. Para a empresa, o movimento simboliza uma mudança estrutural no perfil da indústria instalada na Bahia e inaugura uma nova etapa voltada à eletromobilidade, à descarbonização e à indústria de alta tecnologia. A estratégia da companhia é transformar o estado no principal polo de eletromobilidade da América Latina.

Vice-presidente sênior e head comercial e marketing da BYD no Brasil, Alexandre Baldy afirma que a instalação da empresa representa uma ruptura com o antigo modelo. “A chegada da BYD não representa apenas a ocupação de um espaço físico, mas uma verdadeira refundação do perfil industrial da Bahia, substituindo o modelo tradicional de carros com motor de combustão interna pela vanguarda da mobilidade sustentável que é proporcionada pelos veículos eletrificados”, explica.

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Segundo Baldy, o projeto da BYD em Camaçari está sustentado em três pilares: tecnologia, verticalização da produção e desenvolvimento socioeconômico regional. “Nós estamos estruturando em Camaçari o nosso maior complexo industrial fora da Ásia, com investimento de R$ 5,5 bilhões. Além disso, assumimos o compromisso de acelerar o índice de conteúdo nacionalizado nos automóveis, com a meta de atingir 50% de componentes locais até o início de 2027, o que vai movimentar e fortalecer toda a cadeia de fornecedores do país”, diz o executivo.

A estratégia de nacionalização é considerada central para a consolidação do projeto industrial da companhia na Bahia. De acordo com Baldy, a BYD já iniciou negociações com fornecedores nacionais para viabilizar a produção local de peças e componentes. O objetivo é ampliar a integração da cadeia produtiva automotiva e estimular a instalação de empresas satélites no entorno do Polo.

“A BYD já entrou em contato com cerca de 400 fornecedores nacionais para o estabelecimento de parcerias comerciais que possam resultar no suprimento de peças e componentes”, afirma. Segundo ele, a empresa trabalha para fortalecer a cadeia produtiva regional e incentivar a expansão de parceiros industriais na Bahia.

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Novo ciclo de investimentos

Essa reorganização da cadeia automotiva também é observada pelo diretor regional do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças-BA), Marcelo Sena. Segundo ele, a chegada da BYD inaugura um novo ciclo de investimentos no entorno do Polo Industrial de Camaçari, especialmente voltado à formação de uma nova rede de fornecedores.

“O que muda agora com a chegada da BYD é a retomada de um novo ciclo de investimentos, principalmente para as empresas parceiras”, afirma. Segundo Sena, o modelo tende a seguir a lógica internacional da indústria automotiva, estruturada em diferentes níveis de fornecimento. “Muito provavelmente, ao longo dos próximos anos, teremos a formação desse complexo dentro de uma lógica de encadeamento, com os tier 1 fornecendo para a montadora, os tier 2 fornecendo para os tier 1, e assim por diante”, explica.

Para o representante do Sindipeças, a consolidação dessa cadeia produtiva dependerá da integração com outros polos industriais do país. Ele observa que parte das matérias-primas e componentes continuará vindo de estados como Minas Gerais, onde há concentração da indústria de fundição e mineração. Ainda assim, avalia que a Bahia possui capacidade para ampliar etapas industriais ligadas à manufatura e à montagem de componentes automotivos.

O vice-presidente sênior e head comercial e marketing da BYD no Brasil, Alexandre Baldy
O vice-presidente sênior e head comercial e marketing da BYD no Brasil, Alexandre Baldy – Foto: Divulgação

Segundo Sena, o objetivo é ampliar gradualmente a capacidade nacional de fornecimento, reduzindo a dependência externa ao longo dos próximos anos. Ele pondera, porém, que a formação dessa nova cadeia industrial exige tempo e amadurecimento tecnológico. “Quando a gente fala de indústria automobilística, não se faz de um dia para o outro. Precisa realmente de um tempo até você conseguir essa maturidade plena”, diz.

Marcelo Sena também avalia que a instalação da BYD cria uma oportunidade para acelerar o processo de industrialização ligado às novas tecnologias da eletromobilidade. Segundo ele, a Bahia já possui capacidade instalada em áreas como peças plásticas, usinagem e manufatura industrial, mas ainda depende de avanços tecnológicos em segmentos mais complexos ligados aos veículos elétricos.

“Temos capacidade local. Ela já pode ser usada para as coisas que já estão aqui”, afirma. “Agora, coisas mais complexas que envolvem uma manufatura voltada a novas tecnologias, com alguns minérios, muito provavelmente a Bahia ainda não vai fazer.”

O dirigente do Sindipeças defende que a chegada da montadora chinesa seja utilizada como instrumento para ampliar a industrialização local, principalmente em áreas ligadas a minerais estratégicos e novas tecnologias. “A gente tem que começar a industrializar aqui essa nova mineração que está surgindo para os novos ímãs, para os novos motores”, diz

Emprego e qualificação

A geração de empregos é outro ponto central da estratégia da BYD. Atualmente, o complexo industrial já conta com mais de quatro mil trabalhadores brasileiros. Segundo Alexandre Baldy, a maior parte dessa força de trabalho é formada por profissionais baianos e moradores de Camaçari. “O dado mais expressivo desse contingente é o seu DNA local: 90% dos colaboradores são baianos e 56% são residentes em Camaçari”, afirma.

A previsão da montadora é de que, quando a operação atingir plena capacidade, sejam gerados cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. Baldy destaca que a indústria automotiva possui forte capacidade de multiplicação econômica, movimentando setores como logística, alimentação, segurança, hotelaria e comércio.

“Cada vaga criada dentro da nossa fábrica impulsiona toda uma cadeia de fornecedores de autopeças, logística, segurança, alimentação e serviços, dinamizando o comércio e a arrecadação de toda a RMS”, afirma.

Além da abertura de postos de trabalho, a BYD aposta na qualificação profissional como parte da transformação industrial pretendida para a Bahia. Segundo Baldy, a empresa considera a formação técnica da mão de obra local um elemento estratégico para a consolidação da eletromobilidade no estado.

Nesse contexto, a montadora firmou parceria com o Senai Cimatec para formação de jovens e capacitação de trabalhadores voltados à nova indústria automotiva. O programa inclui cursos técnicos ligados à eletrificação veicular e treinamento especializado na China para profissionais brasileiros.

“Além disso, o programa de capacitação da BYD cruza fronteiras: a empresa envia regularmente trabalhadores de Camaçari para treinamentos especializados na China”, afirma Baldy. Segundo ele, os profissionais têm acesso direto a tecnologias relacionadas à montagem de baterias, sistemas de alta-tensão e processos automatizados.





Fonte:A Tarde

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