Barata vira novo símbolo político da Índia

PODP BAHIA
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Teimosa, detestada e considerada indestrutível. Contra qualquer probabilidade lógica, uma barata se tornou símbolo político na Índia. O que começou como uma piada nas redes sociais após uma declaração polêmica do presidente da Suprema Corte da Índia, Surya Kant, se transformou em um movimento político satírico com milhões de seguidores na web.

O episódio teve início quando Kant, durante uma audiência, comparou jovens desempregados que migram para o jornalismo e o ativismo a baratas e parasitas. Ele depois esclareceu que se referia a pessoas com “diplomas falsos e fraudulentos”, mas a essa altura os comentários já haviam se espalhado pela internet, provocando indignação e uma onda de sátira política.

O resultado foi a criação do Cockroach Janta Party (CJP), ou Partido do Povo Barata, pelo estrategista de comunicação política Abhijeet Dipke, de 30 anos, estudante da Universidade de Boston.

“Pensei que deveríamos todos nos unir, talvez simplesmente criar uma plataforma”, disse ele à BBC. 

Em poucos dias, o CJP acumulou dezenas de milhares de inscrições por meio de um formulário do Google, inspirou a hashtag #MainBhiCockroach (“Eu também sou uma barata”) e recebeu o apoio de líderes da oposição.

Na quinta-feira, a conta do Instagram do movimento ultrapassou 10 milhões de seguidores, superando o perfil oficial do Bharatiya Janata Party (BJP), o partido governista conhecido como o maior do mundo em número de membros, com cerca de 8,7 milhões de seguidores. A conta do movimento no X, no entanto, está bloqueada na Índia por determinação legal.

O CJP não é um partido político formal, mas um coletivo online satírico cujos critérios de adesão incluem estar desempregado, ser preguiçoso, passar muito tempo online e possuir “a habilidade profissional de reclamar”.

O site do movimento se descreve como “a voz dos preguiçosos e desempregados” e convida apoiadores a se juntar a um movimento para pessoas “cansadas de fingir que está tudo bem”. Por trás do humor, porém, há reivindicações reconhecíveis: responsabilização, reforma da mídia, transparência eleitoral e maior representação para mulheres.



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