A semana foi marcada por uma escalada de tensões entre Cuba e Estados Unidos, com o governo de Donald Trump acusando criminalmente o ex-presidente cubano Raúl Castro. No mesmo dia em que as acusações foram anunciadas, as forças americanas confirmaram a chegada de um porta-aviões ao Caribe, intensificando os temores sobre uma possível ação militar na região.
Em entrevista ao Agora CNN, o especialista Felippe Ramos, PhD pela New School de Nova York, afirmou que o risco de uma “intervenção em Cuba é iminente”. Segundo ele, os Estados Unidos estão ativamente calculando o momento adequado para realizar uma operação similar à que ocorreu na Venezuela.
Para Felippe Ramos, a possível ação em Cuba teria um caráter predominantemente político.
O especialista destacou que Donald Trump busca demonstrar a continuidade do poderio americano, especialmente após o que foi considerado um sucesso operacional na Venezuela, mas que foi logo seguido por um envolvimento prolongado e desgastante no conflito com o Irã.
Diferenças entre Cuba e Venezuela
Ramos apontou que, ao contrário da Venezuela, Cuba não oferece retornos econômicos imediatos aos Estados Unidos. “O ganho em relação a Cuba seria muito mais um ganho político e simbólico do que um ganho de retornos econômicos para os Estados Unidos”, explicou.
Segundo ele, enquanto a Venezuela possuía uma sociedade mais complexa, com oposição organizada e figuras como Corina Machado, Cuba apresenta um regime muito mais fechado, controlado pelo Partido Comunista, sem uma oposição civil expressiva nem um plano de transição sólido.
“Uma vez que se opera uma operação desse tipo, a pergunta seria o que aconteceria depois e o que os Estados Unidos ganhariam com isso, além do ponto de vista somente simbólico”, questionou Ramos.
Conexão com o conflito no Irã
Durante a entrevista, o especialista também estabeleceu uma relação direta entre a resolução do conflito com o Irã e qualquer ação futura em Cuba. Segundo ele, os ativos militares americanos atualmente mobilizados para o Oriente Médio precisariam retornar ao Caribe para viabilizar uma operação na ilha.
“Quanto mais demora uma resolução do conflito no Irã, mais se posterga também qualquer ação em Cuba”, afirmou.




