A Justiça do Ceará negou o pedido de prisão preventiva do pai de uma youtuber de 16 anos, acusado pela própria filha de cometer crimes de violência sexual. As denúncias foram feitas pela adolescente nas redes sociais.
A jovem também relatou que o pai teria descumprido uma medida protetiva concedida em favor dela e da mãe.
A decisão foi anunciada pela Vara Única Criminal de Tianguá, que indeferiu o pedido de prisão preventiva por ausência de provas concretas sobre o suposto descumprimento da medida protetiva anteriormente concedida.
O Tribunal de Justiça do Ceará ainda requisitou informações para confirmar os incidentes relatados. A unidade judiciária informou à CNN Brasil que todas as providências necessárias estão sendo adotadas para garantir o andamento do caso.
Relembre o caso
O Ministério Público e a Polícia Civil do Ceará investigam o caso de uma youtuber de 16 anos que publicou um vídeo nas redes sociais denunciando ser vítima de violência sexual pelo próprio pai.
Nas redes sociais, a adolescente afirmou que o pai procurou a Justiça fazendo falsas acusações contra a mãe dela e alegou que as autoridades não estariam ouvindo as versões das duas.
“Então assim, ele está denunciando a minha mãe, dizendo que ela está me maltratando, sendo que tudo o que ele está denunciando a minha mãe é por coisas que ele fez, porque ele cometeu os crimes, ele que me abusou, ele que me colocava contra a minha mãe, tá?”, disse na publicação.
Nesta segunda-feira (18), o MP informou que instaurou um procedimento administrativo para acompanhar a situação, em articulação com a rede de assistência social e de saúde do município de Tianguá, cidade onde ela mora.
A Polícia Civil do Ceará, por meio da Delegacia de Tianguá, investiga dois crimes: o descumprimento de medida protetiva e violência contra a adolescente.
A adolescente também relatou que, devido à influência do pai na cidade e às atitudes dele, ela tem medo de frequentar lugares públicos. “Estou cansada de ter que viver com medo, porque eu tenho medo de sair de casa, eu não estou indo para a escola, eu estou tendo que estudar em casa, porque eu tenho medo, eu não aguento mais ter medo”, afirmou.
Ao final do vídeo, a menina faz um pedido por justiça. “Ele não é família, ele só é genitor, mas ele não é família, ele não é um pai de verdade, que é um pai que ama, não faz as coisas que ele fez. Então eu venho aqui pedir justiça”, declarou.
Segundo o Ministério Público, a jovem passou por escuta especializada, nos termos da Lei nº 13.431/2017, que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência. O procedimento busca assegurar proteção, segurança e acolhimento adequados à vítima.
O órgão destacou que as medidas protetivas de urgência seguem em vigor, incluindo a proibição de aproximação do genitor.
A Polícia Civil reforçou que a população pode contribuir com as investigações por meio de denúncias anônimas. As informações podem ser repassadas ao Disque-Denúncia 181, da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ao WhatsApp (85) 3101-0181, ou pelo site do serviço.
As denúncias também podem ser encaminhadas para o telefone (88) 3671-9328, da Delegacia de Polícia Civil de Tianguá. O sigilo e o anonimato são garantidos.
*Sob supervisão de Thiago Félix




