
A investigação que resultou na prisão da influenciadora Deolane Bezerra revelou a abertura de 35 empresas registradas em um único endereço no município de Martinópolis, onde funcionaria uma residência de padrão popular. O caso é apurado pela Polícia Civil dentro de uma operação que mira esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado.
Embora a existência de múltiplas empresas em um mesmo local não seja, por si só, ilegal, investigadores apontam que a prática pode indicar tentativa de ocultação de recursos. Além dos registros em Martinópolis, a influenciadora também possui CNPJs em cidades como Santo Anastácio e Ribeirão Preto.
Para o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, o caso expõe fragilidades no controle de abertura de empresas no país. “Esse é um problema muito grande. É a pejotização do crime organizado”, afirmou.
Segundo as investigações, o volume de empresas e a complexidade das transações financeiras dificultavam o rastreamento da origem do dinheiro, criando o que investigadores classificaram como um “oceano de lavagem de dinheiro” associado ao PCC.
A apuração também indica que Deolane teria recebido valores de uma transportadora apontada como peça central no esquema, sem comprovação de prestação de serviços. Para a polícia, essa relação pode ajudar a aprofundar o vínculo entre a influenciadora e o grupo criminoso.
De acordo com os investigadores, a influenciadora seria utilizada como uma espécie de intermediária financeira dentro da estrutura criminosa, misturando recursos ilícitos com rendimentos obtidos em suas atividades digitais.
A defesa informou que ainda não teve acesso completo aos autos, que tramitam em segredo de Justiça. Em manifestação nas redes sociais, Deolane afirmou ser vítima de perseguição. “Estou passando aqui para tranquilizá-los e afirmar mais uma vez que estou sofrendo uma grande injustiça. É notório o preconceito e a perseguição contra minha pessoa e minha família, mas isso tudo servirá para provar mais uma vez para todos vocês que não pratico e nunca pratiquei ‘crimes’”, declarou.
A investigação teve início em abril de 2023 e busca desarticular uma organização criminosa envolvida com jogos ilegais e lavagem de dinheiro. A operação, batizada de Integration, cumpriu 19 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de R$ 2,1 bilhões em ativos.
As ações ocorreram em cidades como Recife, Campina Grande, Barueri, Cascavel, Curitiba e Goiânia.
FonteBahia News




