Buenos Aires, Maradona, Messi e Mafalda

PODP BAHIA
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Buenos Aires tem seus santos populares. Caminhando pelas ruas da capital argentina, você vai inevitavelmente topar com os três padroeiros da cidade: Messi, Maradona e Mafalda. O trio 3M, composto pelo gênio da bola, o deus (pros argentinos) do futebol e a menina contestadora, está em todo lugar, estampado em camisa pendurada na vitrine, outdoor luminoso e souvenir vendido em cada esquina.

Passei uma semana na cidade, e trago minha impressão e peculiaridades sobre a capital argentina. É impressionante a quantidade de teatros e cinemas, principalmente na Avenida Corrientes, no Centro da Cidade, onde ficamos hospedados. A cada esquina tem um teatro, desde as grandes salas, como os Teatros Colón e San Martin, até saletas, com peças do teatro experimental. Estima-se que a cidade possua perto de 300 teatros.

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Na gastronomia, até a biboca mais simples serve uma carne capaz de humilhar muito restaurante metido a besta. Você pede um PF e chega à mesa um pedaço de carne, sempre acompanhado de batata frita, tão macio que dá vontade de aplaudir o boi.

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Por indicação de um taxista, encaramos uma achuras parrilla: rins, tripas, coração, fígado e outras miudezas bovinas tostadas na brasa. Visualmente, não ajuda muito, mas vale a pena a experiência. Tudo devidamente escoltado por uma cerveja litrão ou uma taça de vinho. Entre uma refeição e outra, entram em cena as empanadas, o alfajor e o doce de leite, patrimônio afetivo nacional.

O trânsito merece um capítulo à parte. As avenidas gigantescas são cortadas por ruas transversais e por uma infinidade de semáforos sem qualquer compromisso com a fluidez. É um eterno anda e para. Em compensação, sobra tempo para admirar os prédios de arquitetura europeia, afinal, eles se intitulam a Paris da América do Sul.

Fui no feriadão de Tiradentes e a cidade estava tomada por brasileiros. Dei meus bordejos usando a camisa do Bahia e ouvi vários “Bora Baêa, Minha P…”. Lá, futebol é identidade nacional. E ninguém representa mais isso do que Diego Maradona. No bairro de La Boca, onde fica o estádio do Boca Juniors, tudo respira o clube. Fachadas azuis e amarelas, bandeiras nas janelas, crianças uniformizadas. Um taxista resumiu bem: “O Boca é um fenômeno social”.

Mas a viagem também trouxe outra contestação: a quase inexistência de pessoas negras na cidade salta aos olhos. Nos dois primeiros dias, só eu e minha filha de pretos, e olha que andamos muito. Depois apareceram alguns poucos rostos perdidos na multidão.

Minha filha questionou sobre o nítido branqueamento local. “Como o tango e parte da gastronomia carregam influência negra e quase não existem negros em Buenos Aires?”. Olhei para ela e respondi: infelizmente, a gente sabe como foi.

*Jornalista





Fonte:A Tarde

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