O governo brasileiro descartou oferecer ajuda energética a Cuba diante do receio de que a Petrobras seja alvo de sanções dos Estados Unidos. Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é que o risco para a estatal é elevado devido à presença da empresa na Bolsa de Nova York.
Auxiliares do Planalto afirmam que, embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tenha feito um pedido direto para que o Brasil deixe de apoiar Cuba, o endurecimento das sanções impostas à ilha inviabiliza qualquer iniciativa brasileira de fornecimento de combustível.
Por outro lado, o governo federal prepara uma nova remessa de ajuda humanitária à ilha, com envio de alimentos e medicamentos. Durante a viagem da comitiva brasileira a Barcelona, em abril, representantes do Brasil discutiram com agências da Espanha e do México uma ação conjunta para o envio de produtos ao território cubano.
Na quinta-feira (21), a Rússia afirmou que vai continuar fornecendo apoio ativo a Cuba, apesar das tentativas dos Estados Unidos de intimidar e apertar o “laço das sanções” em torno da república insular governada pelos socialistas.
No início deste ano, os Estados Unidos interromperam o fornecimento de combustível à ilha. Em resposta, a Rússia enviou, no fim de março, cerca de 100 mil toneladas de petróleo ao governo cubano.
No Planalto, a leitura é que a disposição russa em ampliar o apoio a Cuba está ligada ao fato de Moscou já enfrentar sanções impostas pelos Estados Unidos em razão da guerra na Ucrânia.
Integrantes do governo brasileiro também avaliam que o cenário internacional, marcado pela escalada da tensão no Oriente Médio, reduz ainda mais o espaço para qualquer iniciativa brasileira na área energética.
O receio é que eventuais sanções à Petrobras possam afetar os esforços do governo para conter a alta dos combustíveis no mercado interno.




