Primeira mulher trans a fazer redesignação sexual no país morre aos 80 anos

PODP BAHIA
Por
3 Min de Leitura
#image_title


Primeira pessoa a realizar uma cirurgia de redesignação sexual no Brasil, Waldirene Nogueira morreu aos 80 anos, nesta terça-feira (19), em Ubatuba, no litoral paulista. Waldirene se tornou conhecida após realizar o procedimento em 1971, ainda durante o período militar.

Segundo a funerária responsável, o velório ocorrerá a partir das 8h no Memorial Santa Izabel, em Lins, no interior de São Paulo, e Waldirene será enterrada às 17h, no Cemitério da Saudade da cidade.

A causa da morte não foi informada.

Quem foi Waldirene Nogueira?

Waldirene nasceu em 1945, no município de Lins, interior de São Paulo. Aos 26 anos, ela realizou a cirurgia de redesignação sexual com o médico paulista Roberto Farina. Seu caso se tornou ainda mais conhecido quando a cirurgia foi denunciada pelo então Procurador de Justiça de São Paulo, Luiz de Mello Kujawski.

De acordo com registros da época, o procurador ficou sabendo do caso após uma matéria do jornal O Estado de S. Paulo, que cobriu um congresso de urologia em que Farina teria apresentado o estudo de caso de Waldirene.

Na denúncia, Kujawski afirmou que a cirurgia se tratava de uma “mutilação genital” e, por essa razão, foi aberta uma investigação e um processo judicial contra o médico em 1976.

Em fevereiro do mesmo ano, Waldirene foi convocada a realizar uma avaliação sobre sua “situação física” no IML (Instituto Médico Legal). Ela foi submetida a diversos exames para comprovar se ela era uma mulher biológica.

Mesmo que o laudo reconhecesse que o corpo de Waldirene possuía características femininas e masculinas, o promotor de Justiça Pública Messias Piva formalizou uma outra denúncia contrariando a existência da mulher trans e defendendo que o médico fez “uso de violência”.

O caso chegou a ser tratado como um crime de lesão corporal de natureza gravíssima. Farina chegou a ser condenado em primeira instância, mas foi absolvido três anos depois, em 1979.

O médico utilizou, em sua defesa, a literatura médico-científica que concebia a existência de corpos trans, conteúdo esse que possibilitou o avanço da compreensão sobre a transição de gênero.

Legado de Waldirene

Waldirene representa um símbolo de luta e existência às pessoas trans que sofreram e sofrem a violência cotidianamente.

Leia também: Pelo menos 80 pessoas trans foram mortas no Brasil em 2025, mostra dossiê

O Núcleo de Estudos, Pesquisa, Extensão e Assistência à Pessoa Trans Professor Roberto Farina, vinculado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), prestou homenagem à Waldirene e considerou que ela enfrentou o aparato estatal durante sua história.

“O Núcleo TransUnifesp agradece a dignidade com que Waldirene segurou sua bandeira por décadas”, diz a nota de pesar publicada nas redes. Veja: 

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo





Source link

Compartilhe Este Artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *