Os corpos de dois mergulhadores italianos mortos em um acidente de mergulho nas Maldivas foram recuperados, informou a mídia estatal nesta terça-feira (19), enquanto os esforços continuam para resgatar os restos mortais de outros dois.
Os mergulhadores faziam parte de um grupo de cinco pessoas que entrou em uma caverna subaquática na semana passada.
O corpo de um deles já havia sido recuperado na sexta-feira (15).
A localização dos corpos foi identificada na segunda-feira (18).
Quem eram os mergulhadores?
Os corpos encontrados são do instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, da professora associada de ecologia da Universidade de Gênova, Monica Montefalcone, da filha dela, Giorgia Sommacal, do biólogo marinho, Federico Gualtieri, e da pesquisadora Muriel Oddenino.
O corpo de Benedetti foi encontrado primeiro, na entrada da caverna, levando as autoridades a crer que os outros quatro italianos estivessem no local, disse Shareef.
Um sexto mergulhador decidiu não entrar na água quando o restante do grupo mergulhou, relataram as autoridades.
O grupo estava em uma expedição de mergulho a bordo do navio Duke of York, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Itália.
A Cruz Vermelha ofereceu primeiros socorros psicológicos a um total de 20 italianos que permaneceram a bordo e nenhuma lesão foi relatada imediatamente, acrescentou o ministério.

A tentativa de recuperar os corpos evidenciou o perigo e a complexidade da operação: o mergulhador militar sênior, sargento Mohamed Mahudhee, de 43 anos, morreu no sábado (16) durante uma segunda missão de recuperação na caverna, que em seu ponto mais profundo fica a 70 metros abaixo da superfície, quase a profundidade de um prédio de 20 andares.
A operação foi retomada nesta segunda-feira (18), após uma suspensão temporária devido à morte de Mahudhee.
As autoridades acreditam que Mahudhee, membro das forças de defesa nacionais, morreu de doença descompressiva – causada por uma rápida diminuição da pressão ao redor, seja do ar ou da água.
A doença da descompressão é mais comum em mergulhadores autônomos ou em águas profundas, mas também pode ocorrer durante viagens aéreas em grandes altitudes ou em aeronaves não pressurizadas, segundo a Harvard Health.
Cada mergulho em missão de recuperação dos corpos teve duração limitada a cerca de três horas devido às necessidades de oxigênio e descompressão, informou o principal porta-voz do governo das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef.
No entanto, as condições eram extremamente desafiadoras, com fortes correntes imprevisíveis, passagens estreitas que levam a uma vasta câmara subterrânea e escuridão total por todo o local, acrescentou Shareef.

O que aconteceu com os mergulhadores da caverna?
A situação que levou à morte ainda não foi determinada.
John Volanthen, um oficial de mergulho do Conselho Britânico de Resgate em Cavernas, que desempenhou um papel fundamental no resgate de um time juvenil de futebol tailandês em 2018, afirmou que não se sabe se as correntes marítimas contribuíram para o ocorrido, mas que a profundidade e o lodo da caverna são os principais fatores que estão “indiscutivelmente dificultando” os esforços de resgate.
“É um caminho muito longo para dentro da caverna e, normalmente, os mergulhadores em cavernas estabelecem uma linha-guia para encontrar o caminho de volta. E é isso que possivelmente aconteceu com o grupo desaparecido”, disse ele à CNN.
O pânico também pode afetar os mergulhadores, disse Volanthen, com os riscos aumentando em mergulhos mais profundos devido à narcose – um estado temporário de intoxicação causado pela respiração de ar comprimido.
“Isso também aumenta a probabilidade de você estar embriagado ou, essencialmente, incapaz de se controlar”, acrescentou Volanthen.“E assim, à medida que se aprofundam, esse efeito de narcose pode potencialmente causar pânico, mas também tornaria menos provável que encontrassem a saída.”
“Além disso, se a caverna ficar lamacenta, como é normal nesse tipo de caverna ao tocar as paredes ou o chão, encontrar a saída torna-se muito mais difícil.”
Carlo Sommacal, marido de Montefalcone e pai de Giorgia, não tinha certeza do que poderia ter causado o acidente, dizendo que “algo deve ter acontecido lá embaixo”, dada a vasta experiência de sua esposa e da filha.
Em entrevista à TV italiana, ele descreveu Montefalcone como uma mergulhadora cuidadosa e disciplinada que jamais colocaria sua filha ou outros colegas em risco, segundo a agência Associated Press.
Ele lembrou que ela lhe dizia às vezes: “Essa eu consigo fazer, você não” e de como sua esposa sobreviveu ao tsunami de 2004 enquanto mergulhava no Quênia, informou a emissora.
Como foi a missão que localizou os corpos?
Mergulhadores das Maldivas voltaram à água nesta segunda-feira (18) – acompanhados por mergulhadores da DAN – para uma avaliação de segurança da caverna.
Os fatores considerados na operação incluem a presença de uma “corrente subaquática muito forte” ou “se a morfologia da caverna é segura o suficiente para o planejamento”, disse Laura Moroney, CEO da DAN, à CNN Newsroom.
A equipe utilizou scooters subaquáticas e cilindros de gás especializados que podem reciclar o ar, permitindo maior tempo submerso.
Questionada sobre em que ponto a missão se tornaria muito perigosa, Moroney explicou: “A equipe sabe que não precisa se colocar em risco… se houver alguma condição que considerem muito perigosa, eles interromperão o mergulho, retornarão à superfície, replanejarão e mergulharão novamente no dia seguinte, ou sempre que possível.”




